Dados do Ministério Público de São Paulo indicam que as mortes causadas por policiais militares durante o horário de serviço registraram alta no estado em 2025. A informação é do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), que apontou um crescimento de aproximadamente 3% em relação ao ano anterior. Este é o terceiro aumento seguido no governo do atual governador, Tarcísio de Freitas.
Foram contabilizadas 672 fatalidades em intervenções de PMs em serviço ao longo de 2025, frente às 653 de 2024. O dado geral, que inclui também ações de policiais fora do expediente, totalizou 776 casos, número próximo aos 780 registrados no ano anterior. A análise revela, porém, uma alteração no padrão: enquanto as ocorrências durante a folga caíram para o menor nível da série histórica do MP (104), aquelas durante o trabalho subiram.
O avanço se tornou mais expressivo no segundo semestre, período que seguiu a implementação de um novo modelo de câmeras corporais na Polícia Militar, a partir de junho. Os equipamentos atuais não fazem gravação contínua, diferentemente dos usados anteriormente. Nesse último semestre de 2025, as mortes em serviço somaram 366, ante 306 no primeiro semestre.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que 11.973 Câmeras Operacionais Portáteis já foram entregues “em mais de 80 batalhões e comandos em todo o estado, com priorização de áreas de maior risco”. Em nota, a pasta disse que a PM editou portaria que estabelece diretrizes, “reiterando a obrigatoriedade de sua utilização em ações policiais e a responsabilidade dos agentes em manter condições adequadas para a gravação”.
A organização Conectas Direitos Humanos, que é parte do acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) que regulamentou o uso dos equipamentos, critica a falta de transparência no monitoramento da política. O termo judiciário prevê a criação de normas, mecanismos de auditoria e a divulgação de relatórios.
Tanto a Defensoria Pública quanto o Ministério Público declararam estar acompanhando o processo. A Defensoria informou que recebeu “em 17/11/2025, o primeiro relatório trimestral”. O MPSP, por sua vez, ressaltou que “participou da elaboração do protocolo para o uso das câmeras corporais no âmbito da PM”.
O contexto atual se distancia do observado em 2022, ano em que a gravação ininterrupta estava em expansão e o estado anotou a menor cifra de mortes por PMs em serviço. Em 2024, São Paulo havia liderado o crescimento nacional desse tipo de letalidade, com um salto de 65%. Até setembro de 2025, conforme a SSP, onze policiais militares foram mortos em serviço.
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