No sul da Bahia (BA), a comunidade Pataxó resiste nas Terras Indígenas Barra Velha, Barra Velha do Monte Pascoal, Comexatiba e Águas Belas. Em um cenário de violência realizado por fazendeiros, grileiros e forças policiais, as lideranças da tribo clamam por ajuda e por justiça. “Essa terra é nossa desde antes de 1500. Não estamos invadindo nada de ninguém. Cada canto desse território é sagrado. É onde nossos encantados vivem”, declarou o Cacique Suruí Pataxó ao Instituto Socioambiental.
A declaração foi feita logo após seu povo ter sido alvo da “Operação Pacificar“, quando 150 Policiais Civis, e Militares, do Estado da BA, invadiram a Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, para executar 12 mandados de prisão e 7 mandados de busca e apreensão. Durante essa operação, 11 originários foram detidos.

as agressões sofridas. Foto: Leandro Barbosa
Em comunicado oficial, a Polícia Civil declarou que a operação tinha como objetivo desmantelar associações armadas de “supostos indígenas” que, “a pretexto de estarem atuando em ‘retomadas’ de territórios de seus ancestrais, agem com violência e grave ameaça contra trabalhadores e proprietários rurais”. Contudo, 7 deles conseguiram a liberdade, após intervenção da Defensoria Pública do Estado da Bahia. Os 4 restantes ainda aguardam a decisão sobre seus pedidos de habeas corpus.
A ação policial ocorreu poucos dias após uma delegação de líderes Pataxó se dirigir a Brasília (DF), para solicitar ao Governo Federal a assinatura da portaria que reconhece oficialmente a Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, além de denunciar a situação de violência, além da falta de ação do Estado, na região. Em resposta, o Conselho de Caciques da Terra Indígena Barra Velha divulgou uma carta afirmando que a operação foi “uma movimentação que além de suspeita, é estranha e parece ser uma retaliação”.
“Que seja apurado e responsabilizados os agentes públicos e políticos envolvidos nesta operação; inclusive a inobservância e respeito aos nossos direitos. Bem como as violações contra os direitos das crianças e das pessoas mais vulneráveis, vítimas da violência que estamos sofrendo”, diz trecho da carta, que também denuncia a violência policial. Nesta semana, os Pataxó retornam a Brasília para participar do 21º Acampamento Terra Livre e expor a violência que têm enfrentado.
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