3 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza em MG, aponta levantamento

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Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) demonstram que quase três milhões de mineiros estão na extrema pobreza, o que corresponde a 13,9% da população de Minas Gerais. Os dados têm como base as informações do Cadastro Único para Programas Sociais – CadÚnico do Governo Federal, do mês de maio deste ano. O crescimento de pessoas, no estado, em situação de extrema pobreza, ou seja, que possuem renda familiar per capita mensal de até R $89, é 10% maior do que há um ano, quando 2,7 milhões de pessoas viviam nessa condição.

13,9% da população de Minas Gerais está em situação de extrema pobreza – Foto: Reprodução

Dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), demonstra que, em maio, mesmo período da pesquisa da Sedese, o valor da cesta básica em Belo Horizonte era de R$  532,01. O que são quase seis vezes a renda dessas famílias. Só o botijão de gás chegou a custar R $100 na região metropolitana.

O pesquisador da Fundação João Pinheiro (FJP) e doutor em ciência política, Bruno Lazzarotti, observa que a tendência de queda no quantitativo de pessoas em situação de miséria e extrema pobreza entre a população brasileira foi interrompida a partir de 2016, quando voltou a subir já no final de 2019. “A pandemia atingiu fortemente os setores mais vulneráveis da sociedade, deteriorando ainda mais suas condições de renda. Isto se torna mais grave porque, no período registrou-se, um aumento significativo nos preços de gêneros de primeira necessidade, que têm um peso proporcionalmente mais alto no conjunto das despesas dos mais pobres”, afirma o especialista ao jornal O Tempo.

Lazzarotti observou que a situação só não é pior devido ao pagamento do auxílio emergencial no valor de R $600, contudo, com o fim do auxílio, o número de pessoas na miséria pode subir no estado e no país. “A redução do valor do auxílio emergencial, porém, já produz a reversão desta queda a partir de outubro e novembro, quando a pobreza já havia retomado o patamar de 20%”, observou também durante a entrevista.

Medidas emergenciais

Em nota, a Sedese informou que foram implementadas várias medidas para amenizar os impactos da Covid-19. Entre elas, a pasta citou o Renda Minas, que atendeu quase um milhão de famílias e teve um investimento de R $321 milhões. A última parcela do programa foi paga em dezembro de 2020. Além disso, no ano passado, o governo estadual implantou o Bolsa Merenda, com pagamento de R $50 mensais a cada estudante da rede estadual de educação.

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