Mulheres idosas entre 60 e 70 anos, autodeclaradas pardas, com renda de até um salário mínimo e alfabetizadas, representam a maior parte das vítimas da violência contra idosos no Maranhão. Conforme a análise divulgada pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos neste mês, foi registrado um aumento de 38% nos casos de violência contra idosos no primeiro semestre deste ano, comparado 2022, no Brasil.
Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 65 mil denúncias foram registradas, havendo o crescimento deste tipo de maus-tratos em todos os estados brasileiros. O Maranhão registrou 567.667 pessoas, que significa 8,3% da população.
As agressões de cunho sexual, físico e financeiro são só algumas das modalidades qualificadas como criminosas pelo Estatuto do Idoso.
Em entrevista ao G1 do Maranhão, o promotor de justiça e coordenador do Centro de Apoio de Defesa dos Direitos das Pessoas Idosas e das Pessoas com Deficiência do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), falou sobre os números.
“O Ministério Público entendeu a necessidade de estabelecer parcerias, visando articular permanentemente com outras instituições a fim de que serviços prestados às Pessoa Idosas fossem contínuos, bem como resolver casos de violência”, iniciou.
“Assim surgiu a Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa, atuante em São Luís. A rede de proteção da pessoa idosa passou a ser entendida como um sistema que organiza pessoas e instituições, tanto do poder público como da sociedade civil, em torno de um objetivo comum”, disse o promotor.
Alenilton também falou sobre a importância do estatuto para os debates sobre o envelhecimento na sociedade do Brasil.
“O envelhecimento da população brasileira está ocorrendo em meio a desigualdades significativas. Muitas pessoas idosas não conhecem ou não têm condições de exercer os direitos assegurados pelo Estatuto. Nos últimos 20 anos, a população idosa no Brasil dobrou, e estudos indicam que o país terá uma grande parcela de pessoas idosas até 2050. No entanto, a sociedade precisa passar da comemoração para a ação“, disse ele.
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