O endurecimento das políticas migratórias da União Europeia não tem conseguido reduzir o número de pessoas que deixam o continente africano rumo à Europa. É o que aponta um relatório do Centro Internacional para o Desenvolvimento da Política de Migração, que analisou os fluxos migratórios recentes na África Subsaariana.
Segundo o estudo, o aumento da fiscalização nas fronteiras e os acordos firmados com países africanos têm provocado mudanças nas rotas, mas não diminuem o volume total de deslocamentos. “A intensificação dos controles não reduz necessariamente a mobilidade, mas redireciona os fluxos para caminhos alternativos, muitas vezes mais longos e mais perigosos”, destaca o relatório.

Nos últimos anos, a União Europeia ampliou parcerias com países como Tunísia, Egito, Marrocos, Senegal e Mauritânia. Esses acordos envolvem o reforço da vigilância local para conter a saída de migrantes, em troca de apoio financeiro e investimentos em projetos de cooperação.
Ao mesmo tempo, o bloco europeu revisou suas regras internas com a aprovação de um novo pacto migratório, que estabelece critérios mais rígidos para o acesso ao asilo e uniformiza os procedimentos nos países membros. Embora essas medidas tenham contribuído para a redução no número de chegadas, especialistas apontam que o efeito tende a ser temporário.
Dados da agência europeia de fronteiras indicam que as travessias irregulares caíram cerca de 26% em 2025. A maior redução foi registrada na rota da África Ocidental, especialmente após acordos com países da região.
Apesar disso, o relatório aponta que novas rotas vêm surgindo. Com o aumento da fiscalização, migrantes passaram a sair de países como Gâmbia e Guiné em direção às Ilhas Canárias, o que torna as viagens mais longas e arriscadas.
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Outro ponto destacado é o crescimento de fluxos em direção aos países do Golfo. De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, houve aumento de 34% nas saídas da África Subsaariana para essa região entre 2024 e 2025.
O estudo também alerta que fatores estruturais seguem impulsionando a migração, como conflitos armados, insegurança, mudanças climáticas e dificuldades econômicas. Além disso, cortes recentes na ajuda humanitária por parte de países europeus e dos Estados Unidos podem agravar esse cenário.
Para os pesquisadores, o endurecimento das fronteiras não resolve as causas da migração e pode levar a um aumento dos riscos enfrentados por quem tenta deixar o continente africano.
O relatório aponta ainda que, diante de instabilidades em outras regiões, como o Oriente Médio, parte desses migrantes pode buscar novos destinos, incluindo a Europa, ao longo de 2026.
O cenário reforça que a migração internacional segue sendo influenciada por fatores globais e estruturais, que vão além das políticas de controle de fronteiras.









