Perfil das vítimas é majoritariamente de jovens trans negras, empobrecidas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade
Segundo dossiê realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e divulgado nesta segunda-feira (26), pelo menos 80 pessoas trans e travestis foram assassinada no Brasil em 2025. Os dados representam uma queda de 34,4% em relação a 2024, quando foi registrado 122 casos.
Apesar da redução numérica, o Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas trans e travestis no mundo, há quase duas décadas. Por esse motivo, o dossiê alerta que a queda dos números não representa uma melhora efetiva no contexto de violência, pois mantém o país no topo desse tipo de homicídio e revela falhas institucionais no enfrentamento da transfobia.

“A redução métrica aparente não reflete avanços estruturais, proteção do direito à vida ou fortalecimento da cidadania com a garantia de direitos fundamentais, mas evidencia a consolidação de novos mecanismos de invisibilização da violência, acompanhados da manutenção deliberada da não produção de informações e da subnotificação estatística como parte da necropolítica”, diz presidente da associação, Bruna Benevides.
Perfil das vítimas
De acordo com as informações reveladas pelo Antra, a vítima mais nova tinha 13 anos. Além disso O perfil das vítimas é majoritariamente de “jovens trans negras, empobrecidas, nordestinas e assassinadas em espaços públicos, com requintes de crueldade”.
Os estados que mais registraram o maior número de mortes, foi o Ceará e Minas Gerais, com 8 vítimas em cada estado.
Subnotificação
O dossiê é realizado através das informações publicadas em reportagens, redes sociais e fontes não governamentais. Segundo Bruna Benevides isso ocorre pela falta de dados próprios com esse recorte feitos pelo Estado brasileiro.
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“A ausência de registros em determinados estados está diretamente relacionada à subnotificação estrutural, à invisibilidade das identidades trans nos boletins de ocorrência, à recusa institucional em reconhecer crimes como transfóbicos e à dependência quase exclusiva da mídia para o mapeamento dos casos. Em locais onde a imprensa cobre menos a pauta ou onde há maior precariedade institucional, as mortes simplesmente não entram nos registros”, diz Bruna Benevides.
Além disso, o documento ressalta que o medo das represálias, a falta de acesso à Justiça, a violência policial e a desconfiança histórica das pessoas trans em relação ao Estado contribuem para o apagamento estatístico.









