No Brasil, cerca de 477 vidas são perdidas diariamente, devido ao uso de tabaco e produtos relacionados. Estudos indicam que o tabagismo é mais comum entre pessoas pretas (13,7%) e pardas (13,5%). Ainda assim, é comum ouvir a afirmação de que “apenas a força de vontade é suficiente para deixar de fumar”, em campanhas ou discussões do dia a dia. Essa crença desconsidera a dependência da nicotina, uma substância que afeta o sistema de recompensa do cérebro, mantendo uma conexão entre prazer e alívio instantâneo.
Fatores como baixa escolaridade, renda reduzida e menor urbanização, são considerados riscos para o tabagismo no Brasil. Essa situação pode ser, em parte, atribuída a questões sociais, uma vez que pretos e pardos formam o grupo mais significativo da população, com menos recursos financeiros e educação, o que aumenta a vulnerabilidade desses grupos. Os estudos foram realizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o uso do tabaco como uma condição crônica, resultante da dependência química da nicotina. Em poucos segundos, essa substância atinge o cérebro e provoca reações que levam ao uso compulsivo, caracterizado não como uma simples escolha, mas uma situação que requer intervenção. Embora o consumo de tabaco tenha diminuído ao longo dos anos, o hábito tabágico ainda tem maior prevalência entre pretos e pardos. .
O uso de tabaco está ligado a diversas doenças graves, como hipertensão, infarto, derrames, bronquite crônica, enfisema pulmonar e vários tipos de câncer, incluindo aqueles que afetam os pulmões, a boca, o estômago e a bexiga. Além disso, compromete o sistema imunológico, acelera o envelhecimento da pele, provoca a amarelamento dos dentes, aumenta o risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC), além de facilitar o desenvolvimento do Alzheimer.
Leia mais: PF apura vazamento em operação contra esquema do PCC
No Brasil, o Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad III) revelou que 26 milhões de brasileiros utilizam nicotina, o que representa 15% da população. A pesquisa também indica que pessoas pretas e pardas, que fumam cigarros mentolados, apresentam uma menor taxa de êxito ao tentar parar de fumar. A etnia tem sido considerada um possível marcador que pode afetar a conexão entre a variação genética e o hábito de fumar.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca também os impactos diretos do uso de cigarros eletrônicos na pele. Dentre eles estão: o envelhecimento precoce da pele, diminuição da elasticidade e aumento do risco de doenças dermatológicas. O descarte inadequado das “bitucas” de cigarro também é uma preocupação, causando impactos diretos ao meio ambiente, por conta das substâncias nocivas presentes nelas que, ao entrar em contato com o meio ambiente, causam consequências severas.
Leia também: Cuidadora de idosa é agredida em apartamento na Asa Norte