“Tá aqui o menino que você suspeitou”: mãe denuncia injúria racial contra o filho em supermercado de BH

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Na tarde da última segunda feira (27), uma professora de 41 anos denunciou que seguranças do Supermercado Apoio Mineiro, em Belo Horizonte (MG), cometeram injúria racial com seu filho, um adolescente de 13 anos, mesmo depois dele passado pelo caixa. Segundo Patrícia Mendonça, por volta das 16:40, ao sair do supermercado, o filho dela foi abordado por um segurança que exigiu que ele abrisse a mochila para “ver o que tinha lá dentro”. “O segurança pediu que tirasse produto por produto e mostrasse a nota fiscal. Depois comunicou-se com um colega pelo rádio e disse: ‘tá aqui o menino que você suspeitou’. Disse para o meu filho aguardar, foi até a operadora de caixa que o havia atendido para confirmar o pagamento e depois de todo esse circo, disse que ele estava liberado”, afirmou.

Seguranças do Supermercado abordaram um adolescente mesmo depois de passar pelo caixa – Foto: Google Street View

Constrangimento

De acordo com Patrícia, o adolescente foi comprar itens que ela solicitou e foi desacompanhado. Além disso, usava uma mochila para guardar as compras e não precisar levar sacolas para casa. “Meu filho foi humilhado, constrangido. Ficou assustado, mas achou que essa era uma conduta ‘normal’ de supermercados. Não é normal, não é natural e não podemos naturalizar condutas abusivas e discriminatórias que, como essa, acontecem diariamente com endereço certo”, desabafou a professora que devolveu as compras, pegou o dinheiro de volta e “não compra e não recomenda comprar num lugar que lê meu filho e os filhos de outras, certamente, como suspeitos até que se prove o contrário”.

Resposta

Patrícia disse que voltou ao supermercado, conversou com o encarregado da seção, que estava ciente da situação e que alegou que o segurança era novato e que esse tipo de abordagem não é padrão na loja. Até o momento da conversa, segundo ela, o gerente da loja não tinha ciência da situação. “Ele pegou meus dados e disse que me retornaria para resolver a situação, mas até agora não fizeram contato”, afirmou. 

Patrícia informou também que já fez uma reclamação na central de atendimento da empresa, mas não informaram um número de protocolo. Além disso, está em contato com uma advogada e ajuizará uma ação contra a empresa.

Em nota, o supermercado Apoio Mineiro informou que lamenta o ocorrido e todas as ações da empresa são pautadas pelo respeito nas relações com nossos clientes, parceiros e colaboradores. Ainda em nota, afirmou que está apurando o fato para tomar as medidas cabíveis.

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Igor Rocha

Igor Rocha é jornalista, nascido e criado no Cantinho do Céu, com ampla experiência em assessoria de comunicação e escritor nas horas vagas. Editor e coordenador regional do Notícia Preta

2 Comments

  • tem que meter processo, mesmo! e individualizar. processar o racista e o lugar onde ele trabalha! além de quimar o lugar nas redes sociais. a resposta da empresa é um primor de falta de vergonha na cara!

  • Inclusive, a empresa que atende a conta do Supermercado entrou em contato comigo às 21 horas, informando que enviou a “nota” e era pra eu alterar no texto. Eu alterei, como o bom jornalismo manda, mas no outro dia pela manhã. Que nota mais “escabrosa” e vazia…

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