Segundo especialistas, crédito consignado do Bolsa Família pode piorar situação dos mais pobres

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O Governo Federal divulgou na última semana uma reformulação do Bolsa Família, que inclui, além de aumentar o valor do benefício, dar acesso ao crédito consignado — empréstimo em que as parcelas são descontadas no contracheque — e oferecer incentivos por prática de esportes e desempenho escolar. A informação foi publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, que teve acesso à minuta da medida provisória. A medida que a princípio pode parecer positiva é vista por especialistas como algo preocupante, uma vez que ela pode reduzir ainda mais a renda disponível para uma população que já é vulnerável.

A medida deve limitar em 30% o valor a ser comprometido com o crédito. Por exemplo, quem ganha R$ 200 não poderá assumir um contrato com pagamentos mensais de mais de R$ 60. O programa social mudaria de nome em 2022 e passaria a se chamar ‘Renda Cidadã’.

Segundo a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ana de Holanda Barbosa, o objetivo é dar estímulo à atividade econômica neste momento de crise, favorecendo o consumo. Em entrevista ao jornal Extra, a economista ponderou, entretanto, que, como qualquer crédito, há risco de endividamento caso o consumidor não saiba administrar as próprias finanças.

Essa é a mesma preocupação de Paulo Vasconcelos, coordenador da Comunidade Católica Gerando Vidas, que promove ações de empregabilidade e de distribuição de cestas básicas:

“O valor pago pelo Bolsa Família é tão baixo, e os alimentos estão com preços tão altos, que as pessoas vão buscar o consignado num ato de desespero, porque está faltando alguma coisa dentro de casa. É diferente de quem tem carteira assinada e pega o crédito extra com planejamento. Depois, o valor recebido a cada mês vai ser menor, por causa das parcelas, e a situação desse cidadão não vai melhorar “, disse em entrevista ao jornal Extra.

Fonte: jornal Extra

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