São Paulo deve dobrar número de ambulantes e catadores no Carnaval 2026

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Sem trabalhadores informais, grandes eventos como o Carnaval não funcionam - Fotos: Eduardo Derrico/WIEGO

O Carnaval de rua de São Paulo deve registrar, em 2026, um crescimento expressivo do trabalho informal, com destaque para vendedores ambulantes e catadores de materiais recicláveis. A estimativa é que mais de 30 mil ambulantes atuem direta ou indiretamente durante a festa, mais que o dobro dos cerca de 15 mil trabalhadores registrados no Carnaval de 2025, considerando cadastrados e não cadastrados.

Sem trabalhadores informais, grandes eventos como o Carnaval não funcionam – Fotos: Eduardo Derrico/WIEGO

Paralelamente, os catadores seguem como peça central da logística ambiental do evento, consolidando o Carnaval paulistano como um dos maiores exemplos de economia circular em grandes festas populares no país. Embora historicamente invisibilizados, ambulantes e catadores sustentam a engrenagem do evento ao garantir abastecimento, limpeza urbana e circulação de renda em larga escala.

O avanço acompanha o impacto econômico da festa. Segundo projeções do Centro de Inteligência da Economia do Turismo, cerca de 4,7 milhões de pessoas devem circular por destinos paulistas durante o Carnaval de 2026, gerando uma movimentação financeira direta estimada em R$ 7,3 bilhões.

Enquanto os ambulantes atuam no comércio popular, oferecendo alimentos, bebidas e produtos diretamente aos foliões, os catadores prestam um serviço ambiental essencial ao recolher, separar e destinar corretamente os resíduos gerados durante a folia. No Carnaval de 2025, 524 catadores e catadoras autônomos atuaram nos principais circuitos da cidade, como Ibirapuera, Barra Funda, Rio Branco e Faria Lima.

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Nesse período, foram coletados mais de 32 mil quilos de materiais recicláveis, o dobro do volume registrado em 2023. A atividade gerou R$ 706,3 mil em renda ao longo de oito dias, considerando a prestação de serviços e a comercialização dos materiais. A renda média individual foi de R$ 848,77 no período, com diária de R$ 106,10, valor cerca de 125% superior à diária proporcional do salário mínimo vigente à época.

A relevância econômica e ambiental desses trabalhadores é reconhecida por organismos internacionais. Para Sonia Dias, especialista em resíduos e inclusão social da WIEGO, grandes eventos só funcionam porque catadores e ambulantes estão nas ruas, evitando que resíduos contaminem rios, vias urbanas e áreas costeiras.

A coordenadora internacional da StreetNet International, Oksana Abboud, destaca que a economia urbana depende diretamente do trabalho dos vendedores ambulantes, defendendo que esse reconhecimento se traduza em direitos, proteção social e participação nas decisões públicas.

No Brasil, dados oficiais indicam a existência de mais de 281 mil catadores, número que pode chegar a 800 mil, segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Eles são responsáveis por cerca de 90% da reciclagem dos resíduos sólidos urbanos. Já o trabalho ambulante envolve cerca de 2,3 milhões de pessoas no país, sendo as mulheres maioria, com 52,7% do total.

Em São Paulo, esse contingente soma mais de 210 mil trabalhadores, evidenciando que o Carnaval não apenas movimenta bilhões, mas também revela o peso estrutural do trabalho informal na economia da maior cidade do país.

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