“Representa retrocesso e desprezo pelas mulheres”, diz ministra Anielle sobre PL que equipara aborto a homicídio

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Após a aprovação de urgência de votação para o Projeto de Lei que equipara o aborto após 22 semanas de gestação a homicídio, o tema passou a ser discutido com mais frequência. Nas redes sociais, a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, destacou o risco que o PL 1904/24 representa para as mulheres de diferentes faixas etárias, no Brasil.

Esse projeto representa retrocesso e desprezo pela vida das mulheres. Esse não é o Brasil que queremos“, escreveu a ministra, que classificou o PL como um retrocesso dos “direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e meninas” e que pode ser responsável por agravar casos de gravidez infantil, com crianças violentadas sendo forçadas a se tornarem mães.

Ministra Anielle Franco se posiciona contra o PL /Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom – Agência Brasil

Com o destaque sobre o tema, uma votação popular no site da Câmara dos Deputados mostra que a sociedade brasileira não está de acordo com a medida. Das mais de 364 mil respostas até o fechamento dessa matéria, 79% afirmam que Discordam Totalmente do PL. Em contrapartida, 21% concordam totalmente.

Por conta do debate, a campanha ‘Criança Não é Mãe’ foi criada, atuando contra o PL que prevê que mulheres que passarem pelo procedimento, ou profissionais que façam, possam ser presos. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança, o Brasil alcançou em 2023, o recorde de denúncias de estupro: foram quase 75 mil vítimas. 

O Código Penal, atualmente, garante o direito de interromper a gestação em caso de estupro e risco à vida, sem limite de tempo para o procedimento.

Entenda o PL

O projeto de lei de autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e de mais 32 parlamentares, pode determinar que o aborto tenha pena maior que estupro. O texto altera o Código Penal e estabelece a aplicação de pena de homicídio simples quando a mulher provocar o aborto em si ou consente que outra pessoa lhe provoque. Nesse caso a pena fica de 6 a 20 anos de prisão.

Segundo o artigo 213 do Código Penal, a pena mínima em casos de estupro é de 6 anos quando a vítima é adulta, mas pode chegar a 10 anos. Caso a vítima seja menor de idade, a pena mínima sobe para 8 anos e, a máxima, para 12 anos. Ou seja, em uma situação hipotética de uma mulher adulta vítima de estupro que interrompa a gravidez após a 22ª semana, é possível que ela seja condenada a 20 anos de prisão, enquanto o seu estuprador fique entre 6 e 10 anos preso.

Com base no documento, só poderão realizar o procedimento mulheres com gestação até a 22ª semana. Após esse período, mesmo em casos de estupro, a ação será criminalizada, o que não acontece atualmente.

Leia também: PL equipara aborto a homicídio e pode ter pena maior que estupro; votação deve acontecer nesta quarta

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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