Post de uma americana branca casada com um negro dizendo o que aprendeu com o racismo viraliza: “sempre tenho que ter meu recibo em mãos ao sair da loja”

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Uma publicação da americana Pamela Chandler, uma mulher branca casada com Walter Chandler, um homem negro, teve mais de 128 mil compartilhamentos e viralizou na internet. No post, Pamela conta que se cansou de ver pessoas minimizando a importância do movimento Black Lives Matter, nos Estados Unidos, e lista algumas situações que passa cotidianamente com o marido e a filha do casal.

“Como uma mulher branca casada com um homem negro e criando uma filha birracial, eu tive que desaprender muitas coisas e aprender duas vezes mais”, escreveu em seu facebook.

A lista de Sandra não surpreenderia nenhuma pessoa negra que passa por todas as situações citadas pela mulher, ou até piores. Mas o post da mulher branca teve mais de 50 mil curtidas.

Entre situações vividas, Pamela lista dirigir no lugar de Walter em determinados locais, lidar com policiais, e andar sempre com o recibo da loja quando vai às compras com o marido.

Lista:

  • Eu tenho que dirigir sempre que estivermos saindo de Dayton Area. Não discutimos isso todas as vezes, mas sabemos que se estamos deixando nossa área segura e indo para as cidades menores de Ohio, sou eu quem dirige;
  • Eu preciso lidar com os balconistas, obter documentos assinados, qualquer burocracia que envolva agentes federais ou trabalhos administrativos porque as pessoas me ouvem e são muito mais agradáveis do que com ele;
  • As chances de encontrarmos um casal negro ou inter-racial em um cartão de Natal, por exemplo, são mínimas;
  • Meu marido se esforça para ser gentil e conversar com todos. Não porque ele é uma pessoa naturalmente carismática, mas porque ele aprendeu que um homem negro intimida as pessoas e, por isso, ele compensa sendo excessivamente amigável para que as pessoas não tenham medo dele;
  • Se Walter está empurrando o carrinho, sempre tenho que ter meu recibo em mãos ao sair da loja;
  • Nenhum dos nossos vizinhos pensou que éramos donos da nossa casa, vários vizinhos pararam meu pai e perguntaram se ele era o novo proprietário, porque é claro que o velho branco deve ter comprado a casa. Não apenas somos donos da nossa casa, como ela é totalmente paga, não temos hipotecas;
  • Levamos anos para encontrar uma igreja sem membros racistas; Quando compra uma boneca, nossa filha tem diante dela 25 opções de bonecas brancas e no máximo duas negras;
  • As pessoas que nos param diariamente para dizer o quão adorável é nossa filha são as mesmas que atravessariam a rua se Walter estivesse andando sozinho;
  • Quando Walter vai a um playground com nossa filha, ele fica constantemente ao seu lado, caso contrário as pessoas olham com desconfiança e se perguntam o que o “grande homem negro” está fazendo no banco do parque.

Segundo Pamela o objetivo da publicação não é que as pessoas sintam pena da situação, mas para impulsionar verdadeiras mudanças: “Eu quero um mundo melhor para nossa filha, então estou feliz que as coisas estão mudando. Sei que muitos de vocês estão cansados dos protestos, mas eu estou cansada de ter que procurar um posto de gasolina diferente quando há seis meninos brancos com camisas sem mangas do lado de fora”, disse.

Pamela , Walter e a filha do casal Jasmine
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Thais Bernardes

Formada em jornalismo pelo Institut français de Presse-Université Panthéon-Assas, em Paris e pelo Institut Pratique de Journalisme (IPJ), também na França, Thais Bernardes é jornalista, fundadora e CEO do portal Notícia Preta e podcaster do Canal Futura. Antes de concluir seus estudos na Europa, Thais cursou Relações Públicas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde ingressou através do sistema de cotas. Após atuar como produtora no canal de TV France 2, em Paris, foi repórter no Jornal Extra, na rádio BandNewsFM e coordenadora de Comunicação da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Rio. Em novembro de 2018 a jornalista decidiu criar o portal Notícia Preta como forma de combater, através do jornalismo, o racismo e as desigualdades sociais.

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