O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quarta-feira (25) a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), revelando que mais de 1,1 milhão de adolescentes de 13 a 17 anos já foram forçados a manter relação sexual. O dado representa 8,8% dos estudantes brasileiros, um aumento de 2,5 pontos percentuais em comparação com 2019, quando o índice era de 6,3%.
A pesquisa aponta um cenário de vulnerabilidade crescente. O levantamento mostra que a maioria das vítimas (66,2%) tinha 13 anos ou menos no momento da violência, e as meninas são as mais afetadas: 11,7% delas relataram o abuso, contra 5,8% dos meninos. A região Norte registrou a maior taxa do país, com 11,7%, e alunos da rede pública (9,3%) são mais afetados do que os da rede privada (5,7%).

O ambiente doméstico aparece como o principal local de risco. Entre os agressores, a família foi apontada como a responsável pela violência em 35,5% dos casos, sendo 8,9% referentes a pai, mãe, padrasto ou madrasta e 26,6% a outros familiares. Namorados ou ex-parceiros foram citados por 22,6% dos adolescentes.
A PeNSE também identificou uma queda significativa na orientação sobre saúde sexual nas escolas. Nos últimos cinco anos, a taxa de estudantes que receberam instruções sobre prevenção de gravidez, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis caiu mais de 10 pontos percentuais. Paralelamente, o uso de camisinha entre os jovens que já iniciaram a vida sexual recuou, passando de 61,7% em 2019 para 57,2% na última relação sexual em 2024.
Além dos casos de relação forçada, a pesquisa revelou que 18,5% dos estudantes já sofreram assédio, sendo tocados, beijados ou expostos contra a vontade. Entre as meninas, esse índice chega a 26,0%, mais que o dobro do registrado entre os meninos (10,9%). O estudo também aponta que 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram, sendo 98,7% delas oriundas de escolas públicas.
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