Os resultados mostram que mais da metade (55,3%) dos pacientes que têm diabetes negros no país nunca teve os pés examinados por um profissional de saúde
Um estudo brasileiro divulgado pela Universidade de Sorocaba (Uniso) revela uma desigualdade significativa no acesso a cuidados básicos de saúde: pacientes negros com diabetes realizam menos exames preventivos nos pés do que pacientes brancos, um procedimento fundamental para evitar complicações graves, como amputações.
A pesquisa analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 e considerou uma amostra de 6.216 pessoas diagnosticadas com diabetes no Brasil. Entre os participantes, 61% se autodeclararam negros (pretos e pardos).
Os resultados mostram que mais da metade dos pacientes diabéticos no país nunca teve os pés examinados por um profissional de saúde. No entanto, a ausência desse cuidado é mais frequente entre a população negra: 55,3% dos pacientes negros relataram nunca ter feito o exame, contra 48,2% dos pacientes brancos.

O exame dos pés é uma das principais estratégias de prevenção do chamado “pé diabético”, condição que pode levar a infecções, feridas e, em casos extremos, amputações. A recomendação médica é que essa avaliação seja feita regularmente, especialmente em pacientes com diagnóstico já estabelecido.
Mesmo após o controle de fatores como renda, escolaridade, idade, presença de plano de saúde e condições clínicas, a pesquisa identificou que a raça continua sendo um fator associado à menor realização do exame. Isso sugere que a desigualdade não se explica apenas por condições socioeconômicas, mas pode estar relacionada a falhas no atendimento e no acesso aos serviços de saúde.
Outro dado relevante é que, em 22 estados brasileiros, a proporção de pacientes que nunca tiveram os pés examinados foi maior entre negros do que entre brancos, indicando que a disparidade é disseminada pelo país.
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A análise também aponta fatores associados à pior assistência entre pacientes negros, como não estar vinculado a equipes de saúde da família, ser fumante e ter pior estado geral de saúde.
Os autores do estudo destacam que os resultados evidenciam uma possível discriminação racial no cuidado em saúde. A negligência na realização de um exame simples, mas crucial, pode agravar desigualdades já existentes e impactar diretamente a qualidade de vida e o prognóstico de pacientes negros com diabetes.










