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O feminismo acolhe todas nós?

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Por Marina Lopes*

O feminismo chega na minha vida a partir do momento em que entro no mundo acadêmico. Por muitas vezes reflito se nos dias atuais, toda essa discussão e reivindicações não estariam mais restritas às pessoas que conseguem chegar à uma faculdade ou com maior acesso à informação. Qual seria o sentido prático do feminismo para uma mulher preta periférica, sem estudo, que luta pra colocar comida na mesa, para cuidar dos filhos, para se proteger das violências diárias?

Punhos cerrados em o espetáculo “Lugar de Escuta”/Foto: Stephan Solon

A discrepância socioeconômica e o racismo, resquício dos 300 anos de escravidão à qual o negro foi subjugado, colocou a mulher negra muitas vezes fora das pautas das reivindicações feministas.  Agora, já no século 21, onde o racismo, machismo e LGBTQIA+fobias têm sido mais discutidos, será que as formas de feminismo se tornaram mais representativas com as várias formas de ser mulher?

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Percebo em muitos coletivos feministas a falta de um retrato fiel das particularidades femininas, porque sim: ainda existem mulheres nas ruas passando por pobreza financeira e menstrual; mulheres sem estudo que dependem financeiramente de maridos agressores; mulheres trans que correm riscos diários de assassinato. Esse recorte de gênero, racial e econômico precisa estar dentro da militância. Quero ver esse movimento mais próximo das camadas sociais, de forma sensível, fácil e pratica.

Dentro dessa mesma reflexão, vejo quanto esse “feminismo acadêmico” precisa dar retorno a uma sociedade que está à margem desse academicismo. Os direitos das mulheres não pode ser somente uma pauta intelectual, branca, hétero/cisgênero e elitista. Cada mulher possui suas particularidades e essas diferentes camadas precisam ser levadas em conta ao ir para luta. Fica aí o questionamento se realmente o feminismo acolhe e defende todas nós.

Marina Lopes é jornalista e escritora

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