Número de negros mortos por coronavírus é o dobro do que o de brancos no ES

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Foto: Jerome Gilles/NurPhoto

No Espírito Santo, o primeiro caso da Covid-19, o novo coronavírus, foi confirmado no início do mês de março, por um paciente que se infectou em viagem ao exterior. Em pouco tempo, o número de casos só aumentou e o Estado passou a registrar a transmissão comunitária, onde já não é possível identificar a origem da contaminação.

O vírus está em vários lugares, bairros considerados nobres ou periféricos, e tem contaminado diferentes grupos étnico-raciais, entretanto a morte está chegando demasiadamente à população negra do Espírito Santo.  Até a manhã desta segunda-feira (11), há 181 óbitos confirmados por Covid-19 no Estado, sendo: 80 negros (pretos e pardos, como trata o IBGE); 49 o recorte raça/cor consta como ignorado; 40 brancos; 11 amarelos e 1 indígena. Os dados são do Painel Covid-19 ES, ferramenta do governo que é atualizada diariamente. O número de óbitos de pessoas negras neste momento é exatamente o dobro do número de óbitos de pessoas brancas.

No recorte de gênero entre esses dois grupos, tem-se: de 80 negros, 42 são do sexo feminino e 38 do sexo masculino; de 40 brancos, 15 são do sexo feminino e 25 do sexo masculino. Neste recorte, o número de mulheres negras que morreram por coronavírus é quase o triplo se comparado ao número de mulheres brancas. 

Inicialmente não havia no Painel Covid-19 ES o recorte raça/cor, isto só foi possível depois que o movimento negro capixaba fez requerimento, por meio de um ofício, ao Governo do Estado do Espírito Santo para que divulgasse os dados relativos à pandemia do novo coronavírus utilizando o recorte raça/cor. 

O ofício foi encaminhado no fim da primeira quinzena de abril de 2020, assinaram o documento: Agentes de Pastoral Negros – APN’s; Centro de Estudo da Cultura Negra – CECUN; Coletivo Negrada; Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN; Círculo Palmarino; Instituto Elimu Professor Cleber Maciel; Movimento Negro Unificado – MNU; Núcleo Estadual de Mulheres Negras do Espírito Santo.

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Samily Loures

Baiana em terras capixabas, é formada em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda pela Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo). Com atuação em publicidade social e pesquisa em Identidade Negra, acredita que a comunicação pode ser instrumento de mudanças sociais. Apesar de militante e sagitariana, consegue levar a vida com serenidade. E deboche.

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