No Julho das Pretas, mulheres parabenizam o Movimento Negro Unificado pelos 42 anos

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Por Dandara Maria Barbosa

No Brasil e no mundo, o movimento negro é liderado por mulheres negras. E neste mês de julho, que é comemorado o Dia da Mulher Nega Latino-Americana – no Brasil, dedicado à memória de Tereza de Benguela, líder do Quilombo do Quariterê -, também é o mês de aniversário do Movimento Negro Unificado – o MNU -, que completou 42 anos e é uma organização histórica de importância para a luta antirracista. 

Para enaltecer as datas, várias referências foram às redes sociais falar da importância do movimento negro na sua vida e sociedade. Conceição do Evaristo, Maju Coutinho, Benedita da Silva e Flavia Oliveira foram algumas que usaram as redes sociais para falar do poder do Movimento Negro Unificado: 

“A força com que o MNU inclusive denunciava a falsa democracia racial, denunciava e denúncia, por exemplo, no momento, a mortalidade da juventude negra, é uma voz que se fez e se faz escutar. O MNU ele ajuda a quebrar um silêncio histórico que pesa sobre a comunidade negra. Não que a gente nunca tenha denunciado, não que a gente nunca tenha reclamado, mas o MNU se fez ouvir na sociedade brasileira. A nossa voz, cada vez mais, ela ‘desentope’ o ouvido da nação e, sem sombra de dúvida, o MNU foi e tem sido a grande escola do saber dizer, do poder dizer, de imposição de voz”, declarou Conceição de Evaristo, uma das escritoras negras da literatura contemporânea.

“Eu devo muito a esse movimento e as outras lideranças que abriram os caminhos para gente; para gente que estar aqui hoje, ocupando espaços que antes não eram ocupados por nós, que são  nossos por direitos. Só referencio o trabalho de vocês, falo com muita emoção sobre isso, vocês vieram antes,” frisou a jornalista de grande renome, Maju Coutinho.

“Muitas lutas e bandeiras, infelizmente, ainda são as mesmas de 1978, pois nunca  alcançaremos uma democracia ampla, para todos e para todas, enquanto existir racismo neste país. Lembrar da trajetória do MNU é constatar da importância da luta em nosso país, pois o próprio MNU teve o papel fundamental durante as audiências da assembleia constituinte, em 1987 e 1988, ao formular documentos que ia reger o Brasil, tanto no combate ao racismo, como também na elaboração e garantias de políticas públicas para a população negra,” enfatizou Benedita da Silva, uma das mais expressivas parlamentares do país.

O Movimento Negro Unificado comemora 42 anos de existência

”É uma honra ter caminhada coletiva pela construção democrática de uma sociedade justa, sem racismo, traduzida como por exemplo, nas palavras dessa grande escritora, Conceição de Evaristo. Ela destaca que o MNU é uma voz que se fez e se faz ouvir na sociedade brasileira e, no final, ela incita a juventude a se responsabilizar pelo prolongamento dessa trajetória,” explica a Iêda Leal, Coordenadora Nacional do MNU.

Sobre o MNU: 
Fundado em 18 de junho de 1978, como Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial, o MNU é uma organização política comprometida a lutar contra o racismo em todas as suas manifestações e por uma sociedade justa e sem exploração social, onde as diferenças raciais, culturais, sexuais e religiosas sejam respeitadas. Seu lançamento público aconteceu no dia 7 de julho do mesmo ano, em um ato nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, contando com mais de 3 mil pessoas juntamente com grandes nomes da luta antirracista, entre eles, Beatriz Nascimento, Lélia Gonzalez, Abdias do Nascimento, Hamilton Cardoso. Representou um marco referencial histórico na luta contra a discriminação racial no país.

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