62% das mulheres dizem que seriam líderes se não fossem mães, aponta pesquisa

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Foto: Freepik

Dados mostram como a maternidade pode afetar de forma negativa a carreira de mulheres. Segundo o estudo, cerca 35,4% das mães no mercado de trabalho relatam sentir que precisam provar mais competência que um colega sem filhos

Estudo revela que 58,4% das mães afirmam que a maternidade desacelerou suas carreiras, número que sobe para 74,7% quando se considera o período dos primeiros anos de vida dos filhos. Os dados fazem parte da pesquisa “Percepções de carreira e maternidade”, realizada pela plataforma de empregos InfoJobs em 2025, e evidencia como a maternidade ainda impacta diretamente o avanço profissional feminino no Brasil.

O levantamento ouviu 650 mulheres de diferentes idades e contextos profissionais para entender como ter filhos influencia a trajetória no mercado de trabalho. De acordo com o estudo, 58,4% das mães afirmam que a maternidade desacelerou suas carreiras, número que sobe para 74,7% quando se considera o período dos primeiros anos de vida dos filhos. A pesquisa aponta que, nesse momento, muitas mulheres precisam reorganizar a rotina e acabam enfrentando barreiras estruturais no ambiente de trabalho.

Pesquisa revela desigualdades que mães enfrentam no mercado de trabalho Foto: Freepik

Outro dado relevante mostra que 51,6% das mães já recusaram ou deixaram oportunidades profissionais porque não conseguiram conciliar as demandas da maternidade com as exigências do trabalho. A dificuldade de equilibrar responsabilidades familiares e carreira aparece, portanto, como um dos principais fatores que levam à desaceleração da trajetória profissional feminina.

A percepção de falta de reconhecimento também é recorrente. Segundo o levantamento, 65,3% das entrevistadas dizem sentir que suas competências se tornam “invisíveis” no ambiente corporativo após terem filhos, enquanto 35,4% afirmam que precisam provar mais competência do que colegas sem filhos para demonstrar comprometimento profissional.

A pesquisa também revela uma lacuna no apoio oferecido pelas empresas. Apenas 13,4% das participantes disseram ter trabalhado em organizações que realmente oferecem acolhimento e benefícios voltados para mães, enquanto 48% afirmaram ter acesso apenas aos direitos mínimos previstos em lei. Outras 16,4% relataram que as empresas falam sobre apoio à maternidade, mas não oferecem medidas concretas na prática.

Essa realidade acaba influenciando até decisões pessoais. Entre as mulheres que ainda não têm filhos, 42% afirmam considerar o impacto que a maternidade pode ter na carreira antes de decidir engravidar, mostrando como as desigualdades do mercado de trabalho também afetam o planejamento familiar.

Apesar dos desafios, muitas entrevistadas destacam que a maternidade contribui para o desenvolvimento de habilidades importantes no trabalho. 47,3% afirmam que se tornaram profissionais melhores após terem filhos, citando competências como gestão do tempo, empatia, resiliência e capacidade de liderança. No entanto, 46,3% acreditam que essas habilidades não são reconhecidas pelo mercado.

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Quando questionadas sobre quais políticas poderiam melhorar a conciliação entre maternidade e carreira, as participantes apontaram como principais soluções flexibilidade de horário (52,7%), auxílio-creche (42,5%) e possibilidade de trabalho remoto nos primeiros meses após a licença-maternidade (40,7%). Para especialistas, medidas desse tipo são fundamentais para reduzir a chamada “penalidade da maternidade”, fenômeno que descreve o impacto negativo que ter filhos ainda exerce sobre a trajetória profissional das mulheres.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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