Morre Wanda Chase, jornalista símbolo do ativismo negro na Bahia, aos 74 anos

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Chase era uma ativista premiada e conhecida por sua luta por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas, militante do movimento negro que acumulou 45 prêmios ao longo dos mais de três décadas de atuação. Foto: Reprodução redes sociais.

O jornalismo negro e baiano acordou na manhã desta quinta-feira (03) com a triste notícia da morte de da Wanda Chase, que se consolidou como jornalista na Bahia. Wanda morreu na noite de quarta-feira (02), aos 74 anos, conforme informou a família da jornalista, nas redes sociais, que também destacou seu legado.

Nascida no Amazonas, Wanda Chase se mudou para a Bahia em 1991, onde se consolidou como jornalista, principalmente em coberturas do carnaval. Chase era uma ativista premiada e conhecida por sua luta por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas, militante do movimento negro que acumulou 45 prêmios ao longo dos mais de três décadas de atuação.

Em 2002 Wanda Chase recebeu o Título de Cidadã Soteropolitana concedida pela Câmara Municipal de Salvador. No mês passado, ela recebeu o Título de Cidadã Baiana, oferecido pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Mas, por conta dos problemas de saúde após o carnaval, a cerimônia precisou ser adiada.

Chase era uma ativista premiada e conhecida por sua luta por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas /Foto: Reprodução redes sociais.

Chase estava internada no Hospital Tereza de Lisieux, em Salvador, quando recebeu o diagnóstico de aneurisma dissecante da aorta, que ocorre quando a camada interna da principal artéria do coração se rompe. Chase entrou em cirurgia por volta das 17h, e morreu cerca de seis horas depois.

Chase trabalhou por 27 anos na TV Bahia, onde se tornou uma voz pelo movimento negro. Trabalhou também na Manchete, Globo Nordeste, A Crítica, TV Cabo Branco, foi assessora de imprensa da banda Olodum e após sua aposentadoria , Wanda Chase virou colunista do portal iBahia e participou de um projeto de podcast.

Chase recebeu homenagens de vários artistas e personalidades públicas. Além da matéria publicada pela TV Bahia em que trabalhou por mais tempo, onde é lembrada a sua amizade com a jornalista Glória Maria, outros colegas como Jessica Senra e Casemiro. Artistas como, Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Tatau, O bloco afro Ilê Aiyê, a Banda Olodum e a Ministra da cultura Margareth Menezes, se juntaram ao grupo de amigos que postaram homenagens nas redes sociais.

Jornalista, uma mulher pioneira e inspiradora na luta pela igualdade racial e pela representatividade na mídia. Sua partida deixa um vazio irreparável, mas seu legado de luta, perseverança e paixão pela vida e pela justiça social continuará a inspirar gerações futuras. Para nós, seus familiares, Wanda é referência de alegria, determinação, sensatez, honestidade e competência“, escreveu a família.

O corpo da jornalista deve ser enterrado nesta sexta-feira (04), no Cemitério Campo Santo, em Salvador, às 13h, para que parentes e amigos consigam chegar à capital baiana.

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Rafael Rabello

Rafael Rabello

Natural de Salvador (BA) é estudante de Jornalismo pela faculdade Estácio de Sá. É um escritor baiano apaixonado por literatura e pela cultura. Acredita no poder da educação e comunicação para modar o furuto da sua geração.

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