O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) encerrou o ano de 2025 com um volume de recursos sem precedentes, segundo apuração da reportagem. Os dados indicam que foram movimentados R$ 180 bilhões, aquecendo de forma significativa o mercado da construção civil e impulsionando a geração de empregos.
Desde que foi retomado, em 2023, a iniciativa do governo federal já contratou cerca de 1,9 milhão de moradias. A meta estabelecida é alcançar a marca de 3 milhões de unidades até o fim de 2026. O foco principal permanece nas famílias de baixa renda, mas o programa ampliou seu alcance com a criação da Faixa 4, direcionada a quem tem renda mensal entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Para esse grupo, é possível financiar imóveis de até R$ 500 mil, com juros em torno de 10% ao ano e prazo de pagamento de até 35 anos.
O reflexo no setor foi expressivo. Em mercados como o de São Paulo, mais de 60% dos lançamentos e vendas de imóveis residenciais foram vinculados ao MCMV. Até novembro do ano passado, foram criadas mais de 190 mil vagas com carteira assinada na construção civil, um crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior. O reajuste dos tetos de financiamento em diversas cidades, que em alguns casos passou para R$ 275 mil, também contribuiu para melhorar a viabilidade dos projetos.

Em outubro de 2025, foi lançado o Programa Reforma Casa Brasil, com uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para melhorias em moradias existentes. A iniciativa tem capacidade para atender até 1,5 milhão de famílias. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) estima que esse programa pode adicionar R$ 52,9 bilhões ao PIB nacional e gerar quase R$ 20 bilhões em receita tributária.
Para 2026, a previsão é de um orçamento continuamente robusto, com R$ 144,5 bilhões previstos em recursos do FGTS. Os subsídios diretos por família poderão alcançar R$ 65 mil. Apesar do cenário positivo, analistas consultados alertam que a trajetória do programa depende de fatores macroeconômicos, como o comportamento dos juros e a efetiva execução dos investimentos planejados.
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