Caso aconteceu em setembro de 2023, funcionária da farmácia acusou de furto de mercadorias, após ter que esvaziar a bolsa e jogar os itens no chão da farmácia foi constatado que nenhum objeto tinha sido roubado.
Na última quarta-feira (7), a Justiça de São Paulo determinou o pagamento de indenização no valor de R$15 mil à uma mulher negra acusada injustamente de roubo por uma funcionária de uma farmácia da rede Raia Drogasil. A decisão foi do juiz Leonardo Prazeres da Silva, da 5ª Vara Cível de Guarulhos que considerou a abordagem abusiva e humilhante.
O caso aconteceu em setembro de 2023, quando a vítima entrou na farmácia acompanhada de uma amiga com a intenção de medir a pressão e pesar em uma balança localizada na entrada do estabelecimento. Segundo a mulher, quando ela tentou sair do local, a funcionária da farmácia a abordou de forma “abrupta”, afirmando que a mulher teria furtado mercadorias e que ela teria visto o momento do roubo através das câmeras de segurança interna da farmácia da rede Raia Drogasil.

Foto: Reprodução
A mulher relata que foi obrigada a esvaziar sua bolsa, jogando todos os seus pertencentes no chão, em frente a outros clientes. A Polícia Militar foi acionada até o local e constatou que nenhum objeto havia sido roubado no estabelecimento. A vítima moveu uma ação judicial que pontua como a abordagem foi motivada por preconceito racial e estrutural, “causando-lhe profundo abalo psicológico, vergonha e ofensa à sua honra”.
O magistrado do caso julgou o pedido da vítima totalmente procedente e determinou o pagamento da indenização de R$ 15 mil, na decisão o juiz do caso afirma que a abordagem foi orientada por um viés discriminatório, consciente ou inconsciente, por parte da funcionária da farmácia. Um exemplo da “vigilância seletiva, onde corpos negros são sistematicamente lidos como suspeitos sem qualquer justificativa fática”.
Em processo obtido pelo jornal Metrópoles a rede de farmácia Raia Drogasil contestou a decisão, dizendo que a conduta faz parte de uma abordagem de exercício regular destinado “à preservação do patrimônio da empresa”, a farmácia também afirma que a abordagem ocorreu de maneira discreta e comedida, “sem submeter a autora a tratamento vexatório ou abusivo” e que não há provas de descriminação racial ou falha de prestação do serviço.
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O Notícia Preta entrou em contato com a Raia Drogasil, mas até o fim desta reportagem não obteve respostas. O espaço segue aberto









