Justiça condena homem acusado de submeter indígenas a trabalho análogo à escravidão em MS

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A Justiça Federal condenou um homem a mais de seis anos de prisão por explorar trabalhadores indígenas em condições degradantes em uma fazenda de Sidrolândia, em Mato Grosso do Sul. A decisão envolve 22 vítimas, incluindo cinco menores de idade.

A sentença foi proferida pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, após fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho que identificou irregularidades em janeiro de 2021. No local, indígenas eram submetidos a trabalho informal na retirada de ervas daninhas em lavoura de soja de acordo com a sentença.

Os trabalhadores eram, em sua maioria, da Aldeia Pirakuá, em Bela Vista, além de três pessoas da Aldeia Cerro Marangatu, em Antônio João. A atividade consistia na remoção manual de uma planta conhecida como buva, resistente a herbicidas, utilizando as mãos ou ferramentas simples. O trabalho se estendeu por cerca de 20 a 25 dias.

No local, indígenas eram submetidos a trabalho informal na retirada de ervas daninhas em lavoura de soja – Foto: Polícia Civil MS.

O condenado teria sido contratado pelo proprietário da fazenda para intermediar o serviço. Ele receberia R$ 100 por trabalhador, repassando R$ 70 a cada um, além de ser responsável por alimentação e transporte.

A Justiça apontou que as condições de trabalho eram inadequadas. Segundo a denuncia, os indígenas estavam alojados em barracas improvisadas, sem estrutura mínima, higiene ou acesso a água potável. A água consumida era retirada diretamente do rio, e não havia fornecimento de equipamentos de proteção.

Na decisão, o juiz afirmou que a situação ultrapassa infrações trabalhistas e caracteriza violação à dignidade humana. “Não se trata de simples descumprimento da lei, mas de uma condição de extrema indignidade”.

O magistrado também rejeitou a alegação de consentimento dos trabalhadores, destacando que a responsabilidade por garantir condições dignas é do empregador.

Além da pena de 6 anos, 6 meses e 22 dias de reclusão, a Justiça determinou o pagamento de indenização de R$ 66 mil às vítimas, equivalente a R$ 3 mil por pessoa, além de multa.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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