O Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro) iniciou a digitalização de um amplo acervo histórico ligado ao legado de Abdias Nascimento, um dos principais nomes da luta antirracista no Brasil. A iniciativa reúne milhares de documentos, imagens e registros audiovisuais que passam a ser preservados e disponibilizados ao público.
Ao todo, foram processadas cerca de 12 mil imagens, extraídas de 15 microfilmes, além de centenas de minutos de conteúdo audiovisual provenientes de 51 fitas mini-DV. Parte do material é inédita e registra a atuação de pessoas e organizações que contribuíram para o enfrentamento ao racismo e a valorização da cultura negra no país.
O projeto contou com apoio financeiro internacional, por meio do Programa Iberarquivos e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID). Para a diretora de Gestão do Acervo do Ipeafro, Clícea Maria Miranda, o reconhecimento reforça a importância histórica do material. “A contemplação do nosso projeto no edital do Iberarquivos evidencia o reconhecimento do Ipeafro como guardião de um acervo de relevância para o Brasil e para outros países”, afirmou.
A disponibilização do conteúdo começou em janeiro de 2026, por meio do site e das redes sociais do instituto. Parte do acervo já pode ser acessada online, incluindo documentos históricos e entrevistas de Abdias Nascimento.
Entre os registros disponibilizados está a participação de Abdias na abertura da exposição “Abdias 90 Anos, uma Mini-Mostra”, realizada durante o 7º Congresso Internacional da Associação de Estudos Brasileiros (Brasa), na PUC-Rio, em 2004. As imagens mostram momentos de bastidores e encontros com figuras importantes da luta por igualdade racial.
Fundado em 1981 por Abdias Nascimento e Elisa Larkin Nascimento, o Ipeafro atua na preservação, organização e difusão de acervos relacionados à história da população negra no Brasil. O instituto também reúne documentos do Teatro Experimental do Negro e do Museu de Arte Negra, iniciativas criadas por Abdias ao longo de sua trajetória.
O acervo inclui obras artísticas, registros audiovisuais, manuscritos, correspondências e documentos históricos que ajudam a compreender a construção das lutas antirracistas no país.
A digitalização amplia o acesso a esse material e fortalece a preservação da memória negra, garantindo que registros históricos fundamentais permaneçam disponíveis para pesquisa, educação e reconhecimento das trajetórias que marcaram a história do Brasil.










