Historiadora da Guiné-Bissau, Joacine Katar, é a 1ª mulher negra candidata a primeira-ministra em Portugal

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Joacine Katar –
Atualmente, só há um negro entre os 230 legisladores portugueses

Aos 37 anos a ativista antirracista Joacine Katar Moreira promete ser a cara de uma esquerda “antifascista”, “antirracista” e “verde”, na Assembleia da República, em Portugal. A historiadora, que chegou ao país europeu – vinda da Guiné-Bissau – aos oito anos, pela mão da avó, pode ser a primeira ministra negra do país.

Licenciada em História Moderna e Contemporânea – vertente de Gestão e Animação de Bens Culturais, mestre em Estudos do Desenvolvimento e doutorada em Estudos Africanos no ISCTE-IUL, Joacine tem como bandeira as questões “de gênero, do desenvolvimento, a História, a política e os movimentos sociais e cívicos”, como a própria escreve na sua página de apresentação do partido Livre.

Primeira na lista do partido Livre, pequena legenda de esquerda que ainda não tem representação parlamentar, Joacine, segundo as pesquisas de intenção de voto, não tem chances de chefiar o Executivo, embora alguns dos levantamentos indiquem que é possível que seja eleita deputada. Atualmente, só há um negro entre os 230 legisladores portugueses.

Críticas ao “Bolsonaro português”

Joacine vai disputar com André Ventura, o candidato do CHEGA que comparou ao Presidente do Brasil. “Precisamos de evitar que haja Bolsonaros” em Portugal, afirmou a parlamentar ao jornal português Lusa, poucos dias antes das eleições.

A candidata do Livre considerou que “Bolsonaro é um exemplo muito semelhante ao do André Ventura aqui”, sustentando que ambos “são indivíduos completamente populistas, com uma ótica antidemocrática, mas são indivíduos que igualmente não têm programa para o país”.

Gaguejo quando falo, não quando penso”

A gagueira da candidata do Livre foi alvo de muitas críticas nas reedes sociais. Houve até quem desconfiasse da condição de Joacine, acusando-a de fingir ser gaga para angariar votos.

Em resposta às acusações infundadas, Joacine disse, em entrevista à um programa humorístico português uma das frases mais marcantes da campanha eleitoral: “Eu gaguejo quando falo, não gaguejo quando penso. O que é um risco enorme na Assembleia são os indivíduos que estão lá e que gaguejam quando pensam.”

Parlamento português vai ter três deputadas negras – de três partidos diferentes – e todas eleitas por Lisboa

Outra curiosidade: são todas de origem guineense, uma situação que justificou uma mensagem de parabéns enviada pelo Governo de Bissau.

Em comunicado o Ministério guineense dos negócios estrangeiros fala, mesmo, num momento histórico na democracia portuguesa. A mais conhecida das três novas deputadas é Joacine Katar Moreira.

Tal como Joacine Moreira, também, Beatriz Gomes Dias vem do ativismo antirracista:  a nova deputada era a número três na lista do Bloco de Esquerda, partido onde milita há 12 anos. Beatriz tem 48 anos, vive em Portugal desde 1975. É professora de Biologia no secundário, e ativista do Movimento em Defesa da Escola Pública.

Beatriz Gomes Dias promete continuar a inscrever as reivindicações do combate ao racimo e à xenofobia na agenda política e mediática.

Romualda Fernandes foi eleita pelo Partido Socialista onde era a candidata número 19. Tem 65 anos, vive em Portugal desde 1968. Era autarca na assembleia de Freguesia de Benfica, e vogal do Conselho diretivo do Alto Comissariado para as Migrações.

Quando ocupar o seu lugar no parlamento, promete lutar contra a exclusão social e a discriminação étnico racial.

Três mulheres que fazem mudar o cenário no hemiciclo, onde há bem pouco tempo a falta de representatividade era apontada como exemplo quando se falava dos efeitos do racismo em Portugal.

Fonte: RFI

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