Diante do aumento do peso das dívidas no orçamento das famílias, o governo federal prepara um novo programa de renegociação voltado principalmente a créditos com juros elevados. A proposta inclui descontos nas dívidas e possibilidade de garantia da União para reduzir riscos nas operações.
O plano está em elaboração no Ministério da Fazenda e tem como foco dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia. Essas modalidades concentram parte relevante do endividamento e são apontadas como fator de pressão sobre a renda das famílias.
Atualmente, o comprometimento da renda com dívidas chega a 29,3%, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2011. A equipe econômica avalia que substituir dívidas mais caras por linhas com juros menores pode aliviar o orçamento doméstico e reduzir a inadimplência.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta prevê descontos amplos e eventual garantia do governo em caso de nova inadimplência após a renegociação. “O que nós vamos fazer é incentivar que seja um desconto amplo e, eventualmente, com garantias do governo, caso feita a renegociação, a pessoa volte a inadimplir com o banco na frente. Ainda que você negocie 80% de desconto, sobra 20% da dívida a ser refinanciada”, disse em entrevista a Globo News.
A iniciativa surge após o encerramento do programa Desenrola, lançado em 2023, que teve efeito temporário sobre os indicadores. Com a manutenção de juros elevados, o endividamento voltou a crescer e segue próximo aos níveis registrados em 2022.
O governo discute ainda mecanismos para evitar que os beneficiários voltem a se endividar, além de possíveis ajustes nas condições de crédito. A proposta também pode alcançar pequenos empreendedores.
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