Governo adiciona 169 nomes à lista de trabalho escravo e amplia cadastro

Divulgação/Ministério do Trabalho

O governo federal incluiu 169 novos empregadores na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro oficial que reúne casos com decisão administrativa definitiva. Com a atualização divulgada na segunda-feira (6), o total de nomes chega a cerca de 613.

Entre os incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora BYD. Os novos registros resultam de ocorrências entre 2020 e 2025, em 22 unidades da federação, e envolveram o resgate de 2.247 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.

A lista reúne 102 pessoas físicas e 67 empresas. As atividades com maior número de casos são serviços domésticos, criação de bovinos, cultivo de café e construção civil. Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Paraíba concentram os maiores números de empregadores incluídos.

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O governo federal incluiu 169 novos empregadores na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro que reúne casos com decisão definitiva – Foto: Divulgação/Ministério do Trabalho.

No caso da BYD, a inclusão ocorreu após o resgate de 220 trabalhadores chineses em 2024, durante obras de uma fábrica em Camaçari, na Bahia. Os trabalhadores estavam em alojamentos sem condições adequadas e eram impedidos de sair, com retenção de passaportes e jornadas exaustivas. A empresa informou que a responsabilidade foi de uma construtora terceirizada e que encerrou o contrato após a identificação das irregularidades.

O Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou acordo de R$ 40 milhões com a montadora e empresas envolvidas após ação civil pública relacionada ao caso.

Já Amado Batista aparece em dois registros ligados a propriedades em Goiás, envolvendo 14 trabalhadores. A assessoria do cantor informou que não houve resgate e classificou as informações como “completamente falsas e inverídicas”. Também afirmou que firmou acordo com o Ministério Público do Trabalho e regularizou as condições apontadas.

A inclusão na lista ocorre após conclusão de processo administrativo sem possibilidade de recurso. Em geral, os nomes permanecem no cadastro por dois anos.

Criada em 2004, a “lista suja” é atualizada semestralmente e reúne ações de fiscalização do governo no combate ao trabalho escravo.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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