Geração Z considera velhice a partir dos 62 anos, revela pesquisa

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De acordo com um levantamento, 58% dos trabalhadores da geração Z aceitam empregos sem planejar ficar muito tempo - Foto: Pexels

A geração Z passou a considerar que a velhice começa aos 62 anos. A percepção faz parte de uma pesquisa conduzida pelo Centre for Ageing Better, que analisa como diferentes gerações enxergam o envelhecimento e os impactos do preconceito etário na sociedade.

O levantamento, realizado com mais de 4 mil pessoas no Reino Unido, mostra que jovens entre 18 e 29 anos antecipam o início da velhice em relação a outras gerações. Enquanto os chamados baby boomers situam esse marco aos 67 anos, os mais jovens acreditam que o envelhecimento começa mais cedo.

Para a geração Z, os sinais desse processo aparecem antes mesmo dos 60 anos. A dificuldade de adaptação à tecnologia, por exemplo, seria percebida aos 59 anos, enquanto, aos 56, já não seria mais adequado acompanhar tendências de moda. Além disso, personalidades com 62 anos já seriam vistas como parte da “terceira idade”.

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Foto: Pexels

“O que frequentemente observamos em relação às crenças sobre idade e envelhecimento é uma preocupação real em envelhecer”, afirmou Katherine Crawshaw, co-líder da campanha. “As pessoas são expostas a mensagens preconceituosas ao longo da vida, o que cria uma visão distorcida sobre o que é envelhecer.”

A pesquisa também revela inseguranças entre os jovens. Cerca de 27% não acreditam que terão boa saúde na velhice, enquanto um quarto afirma não esperar ter uma rede de apoio formada por familiares e amigos no futuro. Ao mesmo tempo, a geração demonstra uma visão mais positiva sobre trabalhadores mais velhos, reconhecendo seu valor no mercado.

No Brasil, porém, a discussão sobre envelhecimento precisa ser feita a partir de outro ponto de partida. A expectativa de vida média do brasileiro chegou a 76,6 anos em 2024, segundo o IBGE, mas esse número esconde desigualdades profundas.

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A população branca tem expectativa de vida de cerca de 76,4 anos, enquanto pessoas negras vivem, em média, 70,4 anos, de acordo com o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social. A diferença de seis anos evidencia como o acesso à longevidade é desigual no país.

Entre os homens, esse abismo é ainda maior. Homens brancos vivem, em média, 74,5 anos, enquanto homens negros chegam a 68,6 anos. A mortalidade violenta é um dos principais fatores por trás dessa diferença. No Brasil, o risco de um jovem negro ser assassinado é 147% maior do que o de um jovem branco, segundo o Atlas da Violência, do Ipea.

Entre as mulheres, a desigualdade também se mantém. Mulheres brancas vivem, em média, 80 anos, enquanto mulheres negras chegam a 76 anos, impactadas principalmente por doenças crônicas e condições de vida mais vulneráveis.

Esses dados mostram que o envelhecimento no Brasil não é apenas uma questão de idade, mas de estrutura social. Enquanto parte da população discute quando começa a velhice, outra enfrenta obstáculos históricos que reduzem suas chances de viver mais e com qualidade.

“Adotamos uma visão simplista do preconceito etário e poderíamos supor que as gerações mais jovens tendem a ter opiniões mais depreciativas em relação à terceira idade; entretanto, a realidade é muito mais complexa do que isso”, afirmou Harriet Bailiss, co-líder da campanha.

O objetivo da pesquisa, segundo os autores, é justamente evidenciar como o preconceito etário atravessa diferentes gerações e impacta a forma como as pessoas enxergam o próprio futuro.

No contexto brasileiro, esse debate ganha ainda mais urgência. Envelhecer, aqui, continua sendo um privilégio atravessado por raça, renda e acesso a direitos.

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