Gatos ajudam a desvendar caminhos para novas terapias contra o câncer humano

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O estudo também destaca a influência do Império Romano na disseminação dos gatos pelo Mediterrâneo e pela Europa a partir do século II a.C. - Foto: Pexels

Mapa genético inédito dos tumores em gatos revela semelhanças com a doença em pessoas e pode acelerar a medicina de precisão

Um avanço científico inesperado colocou os gatos domésticos no centro de uma das maiores buscas da medicina moderna: novos tratamentos contra o câncer. Um estudo internacional que mapeou, pela primeira vez em grande escala, o perfil genético de tumores em felinos revelou que a doença nesses animais é surpreendentemente semelhante à que atinge os seres humanos, descoberta que pode acelerar o desenvolvimento de terapias mais eficazes para ambos.

A pesquisa analisou centenas de amostras tumorais e identificou mutações em genes equivalentes aos envolvidos em diferentes tipos de câncer humano, incluindo linfomas, tumores ósseos, pulmonares e mamários. Essa proximidade genética reforça uma nova abordagem chamada “One Health”, que integra a saúde animal e humana para compreender melhor doenças complexas.

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Uma nova pesquisa revela que gatos podem ajudar em novos tratamentos contra o câncer – Foto: Pexels

Ao contrário dos modelos tradicionais de laboratório, como os camundongos, os gatos vivem nos mesmos ambientes que as pessoas, respiram o mesmo ar e estão expostos a fatores de risco semelhantes. Isso faz com que os tumores se desenvolvam de forma mais próxima do que acontece naturalmente em humanos.

Além disso, os felinos apresentam com frequência um subtipo agressivo de câncer de mama, o chamado triplo negativo, que também ocorre em mulheres e tem poucas opções de tratamento. A identificação de mutações comuns nesse tipo de tumor abre caminho para testar medicamentos já usados em humanos também na medicina veterinária, e vice-versa.

Descobertas da pesquisa

Um dos achados mais promissores envolve alterações no gene FBXW7, presentes em tumores mamários felinos. As células com essa mutação mostraram maior sensibilidade a quimioterápicos derivados de alcaloides da vinca, substâncias já utilizadas em pacientes humanos. Isso indica que terapias direcionadas podem beneficiar as duas espécies com mais rapidez, reduzindo o tempo entre a descoberta científica e a aplicação clínica.

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O estudo também ajuda a corrigir uma desigualdade histórica: enquanto a oncologia humana avançou para tratamentos personalizados, a veterinária ainda carece de terapias específicas para muitos tumores. Ao identificar quais genes estão por trás de cada câncer felino, pesquisadores poderão desenvolver abordagens sob medida, estratégia que também fortalece a medicina de precisão em pessoas.

A descoberta reforça a ideia de que humanos e animais podem se beneficiar mutuamente da pesquisa científica. Cada novo medicamento testado em um pode gerar respostas valiosas para o outro, criando um ciclo de inovação mais rápido e eficiente.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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