Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou que o padrão de consumo de álcool e outras drogas pelos pais está associado ao comportamento dos filhos, mas que estilos parentais baseados em vínculo, diálogo e regras claras podem reduzir significativamente esse risco.
O estudo analisou dados de 4.280 adolescentes, com idade média de 14,7 anos, e seus responsáveis em quatro municípios do interior paulista entre 2023 e 2024. Os resultados foram publicados na revista científica Addictive Behaviors.

Segundo a professora Zila Sanchez, do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e autora principal do artigo, o maior fator associado à abstinência juvenil é o não consumo por parte dos responsáveis. De acordo com a pesquisa, quando pais ou responsáveis são abstêmios, 89% dos adolescentes também não fazem uso de álcool nem de outras drogas.
O levantamento identificou quatro estilos parentais. O chamado estilo autoritativo, caracterizado por acolhimento, monitoramento e estabelecimento de regras claras, apresentou efeito protetor mais consistente. O estilo autoritário também reduziu o risco, mas com menor impacto no consumo de álcool. Já os estilos permissivo e negligente não demonstraram efeito protetivo.
Os dados mostram que o consumo de álcool pelos pais esteve associado a uma probabilidade de 24% de os filhos também consumirem bebidas alcoólicas e 6% de utilizarem duas ou mais substâncias. Quando os responsáveis fazem uso de múltiplas drogas, a probabilidade sobe para 17% no caso de álcool e 28% para uso de múltiplas substâncias.
LEIA TAMBÉM: Álcool provoca 3 milhões de mortes anuais e consome 298 litros de água para produzir 1 litro de cerveja
Entre os adolescentes avaliados, 19,9% relataram consumo de álcool no último mês e 11,4% relataram episódios de consumo excessivo. Entre os pais, os percentuais foram de 56,4% e 20,3%, respectivamente.
Os resultados dialogam com dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), divulgado em 2025 pela Unifesp, que apontam que 27,6% dos adolescentes brasileiros entre 14 e 17 anos já consumiram álcool alguma vez na vida, o que representa cerca de 3,2 milhões de jovens.
Os pesquisadores destacam que retardar o início do consumo é uma das estratégias mais eficazes para reduzir danos futuros e que intervenções combinando escola, família e comunidade apresentam melhores resultados de longo prazo.









