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Empreendedoras negras são as mais atingidas durante pandemia, aponta Sebrae

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Mulheres negras são maioria entre MEIs, categoria que possui rendimento menor, até R$ 81 mil bruto por ano

Mulheres negras estão no grupo de menor recebimento. Foto: Divulgação

A pandemia evidenciou a desigualdade de raça e gênero existente no Brasil. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada na última segunda-feira (6), entre os empreendedores negros, 70% é de Microempreendedores Individuais (MEI), com renda mensal menor, em sua maioria de mulheres jovens e com menor nível de escolaridade em comparação aos brancos. Nesse grupo há uma maior proporção de negócios mais recentes e que faturam 39% a menos do que o de homens brancos.

Os dados obtidos em entrevistas entre 29 de maio e 2 de junho, com 7.403 empresários brasileiros, aponta que 55% dos empreendedores brancos tiveram acesso ao crédito negado, entre os negros esse número é de 61%, mesmo com o valor solicitado 26% menor em comparação com os brancos.

Os empreendedores negros também foram mais afetados pelas restrições de circulação de pessoas, sendo 70% dos negócios localizados em municípios onde houve fechamento parcial (61%) e fechamento total (9%). Para os brancos 60% dos negócios estavam em locais com restrições. Cerca de 39% dos empreendedores brancos possuem negócios onde houve maior reabertura, já os negros são apenas 29%.

A amostra da pesquisa ainda aponta que 46% dos negócios liderados por negros tiveram que interromper temporariamente o funcionamento, 5% a mais do que os negócios mantidos por brancos, que corresponde 41%. Sendo que apenas 32% dos negros fizeram uso desse tipo de recurso, por meio de site, aplicativos para continuar atuando no mercado. O número de brancos que conseguiu se manter ativo através das ferramentas digitais foi de 40%.

Quase metade dos empresários e empreendedores brancos já usavam a internet para vender antes da pandemia afirmou 48% dos entrevistados, já entre os negros o número é de 45%. Consequentemente, os brancos conseguiram expandir suas vendas on-line em 41% e negros 37%. Um diferencial é que pessoas negras, em sua maioria, vendem mais através do Whatsapp, número que corresponde a 88%, enquanto entre os brancos, sites próprios e Facebook são mais utilizados.

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