Como é feito tradicionalmente, o Brasil foi o primeiro a discursar na abertura do debate de chefes de Estado e de governo da 79ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (24). Em sua fala, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citou a crise climática que atinge o mundo, e em especial o Brasil, que enfrenta um momento de seca, estiagem e queimadas nas mais diversas regiões.
“No Sul do Brasil, tivemos a maior enchente desde 1941. A Amazônia está atravessando a pior estiagem em 45 anos. Incêndios florestais se alastraram pelo país e já devoraram 5 milhões de hectares apenas no mês de agosto. O meu governo não terceiriza responsabilidades e nem abdica de sua soberania“, disse o presidente.
No discurso Lula também destacou a importância de ouvir os povos indígenas e tradicionais em meio a luta pela preservação do meio ambiente, e afirmou que o governo está empenhado em combater o crime organizado que atenta contra a fauna e a flora brasileira.
“Já fizemos muito, mas sabemos que é preciso fazer muito mais. Além de enfrentar o desafio da crise climática, lutamos contra quem lucra com a degradação ambiental. Não transigiremos com ilícitos ambientais, com o garimpo ilegal e com o crime organizado“, disse.
Além da crise ambiental, Lula também citou e condenou crises humanitárias e guerras, como a de Gaza, e também no Sudão e no Iêmen que ele classificou como “conflitos esquecidos” que atingem quase trinta milhões de pessoas.
O presidente também defendeu o projeto que o Brasil lidera pela cooperação internacional para a taxação dos chamados “super-ricos”, ao citar a desigualdade social. “A fortuna dos 5 principais bilionários mais que dobrou desde o início desta década, ao passo que 60% da humanidade ficou mais pobre. Os super-ricos pagam proporcionalmente muito menos impostos do que a classe trabalhadora“, explicou Lula.
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