Um estudo conduzido pela Fiocruz Bahia identificou que o risco de morte por dengue no Brasil está diretamente associado às desigualdades sociais. A pesquisa analisou mais de 3 milhões de casos registrados no país e revelou que a mortalidade não ocorre de forma homogênea entre a população, sendo maior entre pessoas em situação de vulnerabilidade social, com menor acesso a diagnóstico e tratamento em tempo adequado.
O trabalho foi liderado pela pesquisadora Luciana Cardin e buscou compreender por que determinados grupos apresentam maior risco de morte após a infecção pelo vírus da dengue. Segundo a pesquisadora, o estudo avaliou como fatores como raça/cor, escolaridade, condições de moradia e acesso aos serviços de saúde influenciam a evolução dos casos.

Os resultados mostram que pessoas autodeclaradas negras têm aproximadamente o dobro do risco de morrer nos primeiros 15 dias após o início dos sintomas, em comparação com pessoas brancas. Também foi identificada maior mortalidade entre moradores da região Nordeste, famílias que vivem em residências com infraestrutura precária e baixa escolaridade. A análise apontou ainda falhas nos registros das causas de morte, sugerindo subnotificação de óbitos por dengue no país.
De acordo com a equipe de pesquisa, o fortalecimento da atenção primária em saúde é considerado essencial para a identificação precoce dos casos graves. Nos demais níveis de atendimento, a garantia de cuidado oportuno, como hidratação rápida em quadros severos, é apontada como medida fundamental para reduzir mortes. O estudo também destaca a importância de investimentos em saneamento básico, controle vetorial e ampliação do acesso à vacina contra a dengue, especialmente em territórios mais vulneráveis.
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Enquanto o estudo evidencia os impactos das desigualdades no risco de morte, dados recentes do Distrito Federal mostram avanços no controle da doença. Segundo boletim da Secretaria de Saúde do DF, o ano epidemiológico de 2025 registrou queda de 96% nos casos prováveis de dengue em comparação a 2024. Foram contabilizados 11.108 casos entre residentes, contra 278.019 no ano anterior.
As ações de combate incluíram visitas domiciliares em mais de 1,8 milhão de residências, instalação de estações de larvicidas e ovitrampas, uso de drones para mapeamento de áreas de risco e aplicação da bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão do vírus. Apesar da redução expressiva, autoridades de saúde reforçam a necessidade de manter medidas preventivas, especialmente nos períodos de calor e chuva.










