Somente 12% das delegacias da mulher no Brasil funcionam 24h, diz levantamento

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Um levantamento mostrou que das 492 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) espalhadas pelo país, apenas 12% funcionam initerruptamente. Essa realidade deve mudar com a Lei 14.541/23 sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que determina o funcionamento das Deams por 24h, inclusive durante feriados e finais de semana.

Os dados resgatados pelo G1 foram divulgados nesta segunda-feira (10), quase uma semana após o texto da nova lei ser publicado no Diário Oficial da União (DOU), na última terça-feira (4). Para cumpri-la, cerca de 440 delegacias pelo Brasil terão de ser ajustadas às pressas, já que a lei já entra em vigor na data de sua publicação.

Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam), em Salvador — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Em estados como Acre, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, nenhuma das delegacias especializadas funcionam por 24h. Já estados como Bahia, Maranhão, Paraná, Pernambuco, Piauí, Goiás, Espírito Santo, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Pará, Ceará e Paraíba possuem entre 10 e 27 delegacias voltadas para o atendimento à mulher em cada estado, e em todos os casos, menos da metade das unidades atendem sem parar.

No caso de Minas Gerais, que tem 69 delegacias com esse direcionamento, apenas uma é 24h. Em todo o Estado de São Paulo são cerca de 140 delegacias da mulher, e 11 delas funcionando initerruptamente. Em Santa Catarina, há apenas uma unidade 24 horas. Já o Rio de Janeiro possui cerca de 14 unidades, e todas com um atendimento 24h, desde 2019.

Nova lei

A nova lei foi proposta em 2020, aprovada pelo Senado no início de março deste ano e sancionada pelo presidente Lula em seguida. O texto prevê que as mulheres que procurem pelo atendimento sejam atendidas em salas privadas, de preferência por policiais do sexo feminino.

Em lugares onde não existe uma delegacia especializada, o atendimento poderá ser realizado em uma unidade comum, e de preferência, feito por uma agende especializada nesse tipo de atendimento. A nova medida também prevê que os profissionais deverão ser treinados para permitir o acolhimento das vítimas “de maneira eficaz e humanitária”, segundo o texto.

Leia também: Ligue 180 vai ter canal de atendimento no WhatsApp

Para finalizar, a nova lei também prevê que as Delegacias Especializadas tenham um número de telefone ou outro contato eletrônico usado para acionar a polícia imediatamente em casos de violência contra a mulher. Desde o início desse mês, o 180, serviço telefônico que orienta e encaminha denúncias de violência contra as mulheres, também começou a realizar atendimento por um canal no WhatsApp.

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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