As mulheres que mais morrem durante a gestação, parto ou puerpério são negras, jovens e moradoras da região do Pantanal. Defensoria pede ações urgentes para reduzir óbitos evitáveis
Segundo levantamentos oficiais do Comitê de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil de Mato Grosso do Sul mostram que a mortalidade materna no estado persiste e atinge de forma desigual mulheres negras e pardas, em territórios mais vulneráveis como o Pantanal, por esse motivo a Defensoria Pública do estado recomenda que os municípios adotem ações específicas para enfrentar o problema.
De acordo com o Informativo Epidemiológico de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil – 2025, publicado pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES/MS), o estado registrou 21 óbitos maternos no período analisado, número ainda considerado elevado diante de metas nacionais e internacionais de redução. O boletim, elaborado a partir do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e analisado pelo Comitê, detalha o perfil das vítimas e evidencia recortes sociais importantes.

Os dados mostram que mulheres pardas concentram a maior proporção das mortes maternas durante a gestação, parto ou puerpério em 2025, representando o grupo mais afetado entre as categorias de raça/cor informadas. Além disso, essas mulheres tem menor com menor escolaridade, já com filhos e que vivem em áreas classificadas como de alto risco epidemiológico. Entre essas regiões, o Pantanal aparece de forma recorrente nos registros, concentrando casos associados à dificuldade de acesso aos serviços de saúde e à assistência inadequada durante a gravidez e o parto.
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Diante do quadro, a Defensoria recomendou que os munícipios adotem ações como: criação de comitês municipais de mortalidade materna e infantil e a capacitação contínua de profissionais da rede pública de saúde, para que o atendimento realizado considere as desigualdade raciais, sociais e territoriais evidenciadas nos dados.
O prazo estabelecido para que as prefeituras informem quais foram as providências adotadas é de 10 dias. O Notícia Preta entrou em contato com os órgãos responsáveis para entender se alguma medida já tinha sido considerada e quais eram, mas até o fim desta reportagem, não obteve retorno.









