Cientistas testam contraceptivo masculino reversível sem hormônios

espermatozóde

Foto: Pexels

Um novo estudo desenvolvido por pesquisadores da Cornell University aponta a possibilidade de um método contraceptivo masculino reversível e sem uso de hormônios. A técnica, ainda em fase experimental, conseguiu bloquear totalmente a produção de espermatozoides em testes com animais.

A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences e se baseia na interrupção de uma etapa fundamental da formação das células sexuais, conhecida como meiose.

Atualmente, as opções contraceptivas para homens são limitadas ao uso de preservativos e à vasectomia, o que concentra a maior parte da responsabilidade reprodutiva nas mulheres. Nesse contexto, novas alternativas vêm sendo estudadas como forma de ampliar o equilíbrio nas decisões sobre planejamento familiar.

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Segundo os cientistas, o método atua diretamente nos testículos, impedindo a produção de espermatozoides sem interferir na libido ou nas características masculinas. “Buscamos um caminho que não envolva hormônios e que não altere funções como desejo sexual ou características físicas”, explicou um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

O composto utilizado na pesquisa, conhecido como JQ1, não deve ser aplicado em humanos neste momento. Inicialmente desenvolvido para estudos sobre câncer, ele apresentou efeitos colaterais, principalmente neurológicos. Ainda assim, os resultados são considerados um avanço importante por demonstrar que é possível interromper a produção de esperma de forma reversível.

Os pesquisadores agora trabalham na identificação de novas substâncias que possam oferecer o mesmo efeito com maior segurança. Em testes iniciais, outras alternativas já conseguiram bloquear a produção de espermatozoides sem comprometer a saúde dos animais.

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A expectativa é que, no futuro, o método possa ser aplicado em formatos mais práticos, como injeções periódicas ou até adesivos, o que ampliaria o acesso e a adesão.

Especialistas apontam que o avanço de métodos contraceptivos masculinos pode ter impacto direto na divisão de responsabilidades dentro das relações e no acesso ao planejamento reprodutivo, especialmente em contextos onde mulheres ainda enfrentam maior carga física, emocional e financeira ligada à contracepção.

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