CCJ da Câmara aprova lei que blinda líderes religiosos de punições de crimes como racismo e homofobia

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Foram 44 votos favoráveis e 14 contrários ao texto, que agora segue para análise do plenário. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na última quarta-feira (17), o projeto de Lei 1804/15 que aumenta a punição pelo crime de ultraje a culto e impedimento ou perturbação de atos religiosos e blinda líderes religiosos de punições por falas racistas ou homofóbicas.

Foram 44 votos favoráveis e 14 contrários ao texto, que agora segue para análise do plenário. Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados


O parecer aprovado na CCJ foi elaborado pelo deputado Pastor Marco Feliciano (PL-SP). A proteção aos líderes religiosos foi incluída em uma proposta que visa elevar a punição para o crime de ultraje a culto, vilipêndio ou impedimento de cerimônia religiosa, previsto no Código Penal. hoje, a punição é de detenção de um mês a um ano, ou multa. Com o texto, o período de reclusão pode chegar a quatro anos, uma vez que retirou-se o delito da categoria de menor potencial ofensivo. Foram 44 votos favoráveis e 14 contrários ao texto, que agora segue para análise do plenário.

A manobra para proteger os lideres religiosos foi incluída no artigo da Lei 7.716/89 de Racismo que trata de “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, Com a mudança, manifestações de crença, sermões, pregações, cultos, eventos, cerimônias, ensino ou orientação religiosa, realizados em contexto religioso ou litúrgico, inclusive transmitidos por qualquer meio, ficariam excluídos de punição.

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Como o Supremo Tribunal Federal equiparou a homofobia ao crime de racismo, o entendimento de técnicos legislativos é que a redação também protegeria discursos religiosos com ataques à orientação sexual.

Ao justificar as mudanças, o relator argumentou que a Constituição assegura a liberdade de consciência e de crença e a proteção aos locais de culto, e argumenta que esse direito fundamental é violado quando há zombaria pública da fé ou impedimento de cerimônias religiosas. Para ele, o aumento da pena coibirá práticas de intolerância religiosa e garantirá proteção efetiva aos fieis.


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Parlamentares contrários ao texto afirmam que a mudança cria uma brecha para blindar discursos discriminatórios travestidos de pregação religiosa e pode dificultar a responsabilização por faltas ofensivas.

“Para mim houve a inclusão de uma emenda pastor André Valadão, que foi responsabilizado. Abriram investigação, não sei se foi julgado, por uma fala homofóbica. Esse artigo quinto abre salvo-conduto para que crimes de ódio possam ser blindados pelo contexto religioso” criticou a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS)

Com o parecer aprovado, o projeto segue agora para análise do plenário da Câmara dos Deputados. Se avançar, ainda precisará passar pelo Senado antes de eventual sanção presidencial.

Rafael Rabello

Rafael Rabello

Natural de Salvador (BA) e estudante de Jornalismo pela faculdade Estácio de Sá. É um escritor baiano cristão, apaixonado por literatura e pela cultura, que acredita no poder da educação e comunicação para mudar o futuro da sua geração.

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