Após dois anos, três viram réus por agressão a brasileiros em Portugal

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O Ministério Público de Portugal apresentou denúncia contra três homens envolvidos na agressão a dois brasileiros negros ocorrida em Vila Nova de Gaia, no final de 2023. O crime aconteceu na madrugada de 30 de dezembro, quando o produtor cultural Bruno César Marcelino, de 33 anos, e o cozinheiro Kaique dos Santos Soares, de 25, eram abordados por um grupo de cerca de dez jovens que exigiam 10 euros (aproximadamente R$ 60). As vítimas foram agredidas com socos e pontapés.

As vítimas sofreram lesões. Marcelino apresentou hematomas no rosto e na região dos olhos, com 12 dias de tratamento. Santos teve edema no rosto e oito dias de recuperação. A acusação detalha que os três denunciados desferiram murros na cabeça e no rosto das vítimas, atingindo maxilar, nariz e boca.

O Ministério Público de Portugal apresentou denúncia contra três homens envolvidos na agressão a dois brasileiros negros ocorrida em Vila Nova de Gaia, no final de 2023 – Foto: reprodução.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) levou mais de dois anos para identificar seis suspeitos, mas a acusação formal recaiu sobre três deles: o brasileiro Daniel Faiole Salles e os portugueses Rafael Alexandre Ribeiro Matos e Nuno Jorge Serrão Paiva. Os outros três investigados negaram participação. Na denúncia, obtida pela reportagem da Folha, a procuradora Maria de Lourdes Pinto Guedes afirmou que não foi possível individualizar a conduta dos demais envolvidos no crime de roubo, citando “escassos elementos disponíveis”.

O caso será julgado pelo Tribunal Coletivo de Portugal, instância para crimes graves. Os acusados ainda podem recorrer para pedir revisão das provas antes da abertura do processo. A pena para tentativa de roubo no país varia de 1 a 15 anos de prisão.

A motivação do crime é ponto de divergência. O Ministério Público sustenta que o grupo agiu com intenção financeira, seguindo um plano para se apoderar de dinheiro das vítimas. Os brasileiros, que hoje moram na Espanha, criticaram a investigação como superficial e afirmam que a agressão teve motivação racista e xenofóbica. Marcelino declarou que os fatos deveriam ter sido enquadrados como crime de ódio, já que os agressões na cabeça demonstravam risco à vida.

A reportagem não localizou a defesa dos denunciados. Salles, que é capixaba, e Matos têm ligação com o esporte, tendo atuado como jogador e árbitro de futebol, respectivamente.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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