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Apenas 1 em cada 10 alunos de escolas privadas na cidade de São Paulo é negro

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Fonte: Folhapress

Aproximadamente 36% dos estudantes da capital paulista são negros, mas apenas um em cada dez alunos que estuda em escolas privadas na cidade de São Paulo é negro. Os dados foram revelados pelo jornal Folha de S.Paulo com base no Censo Escolar de 2019 e consideram apenas as informações de estudantes cuja cor da pele foi informada pelas instituições de ensino.

O desequilíbrio ocorre mesmo em distritos onde a fatia de estudantes pretos e pardos é alta. No Itaim Paulista, por exemplo, crianças e jovens negros somam 49% dos estudantes, mas são apenas 24% dos alunos das instituições particulares locais.

Em localidades mais ricas, a desigualdade no acesso a instituições privadas de ensino é ainda maior. Crianças e jovens negros são 11,9% dos estudantes de Pinheiros, quase o quíntuplo da parcela de 2,5% que representam entre os alunos de escolas particulares da região. Em Moema, o desequilíbrio é parecido: os pretos e pardos são 9,1% da população estudantil local, mas somente 2,1% dos que frequentam estabelecimentos privados.

Esses números revelam que não são apenas os obstáculos geográficos que reduzem as chances de os alunos frequentarem escolas privadas. Dentro de um mesmo bairro, outras barreiras, como o nível de renda familiar, segregam crianças e jovens de acordo com a sua cor de pele. A exclusão dos negros resultante dessa separação é um importante fator por trás da perpetuação da iniquidade de oportunidades que prejudica a população negra no país. A qualidade do ensino em escolas privadas brasileiras supera, em média, a de escolas públicas. Algumas escolas dos distritos de São Paulo onde há grande disparidade entre a fatia de estudantes negros em estabelecimentos particulares e seu peso populacional estão entre as melhores do país.

São os casos de Objetivo, Móbile, Santa Cruz, Bandeirantes e Dante Alighieri que figuram entre os primeiros colocados do Enem no estado de São Paulo e têm de 0,3% a, no máximo, 6% de alunos negros entre os estudantes de suas unidades.

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