Anistia critica absolvição de PMs por morte de adolescente no RJ

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A família do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto em operação na Cidade de Deus está inconsolável após absolvição de dois policiais militaresf — Foto: @rafaelhbrit / Rio de Paz

A Anistia Internacional Brasil divulgou nota pública nesta quarta-feira (11) manifestando indignação diante da absolvição dos policiais militares acusados pela morte do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, durante operação na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Os PMs Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal foram inocentados pelo Tribunal do Júri tanto da acusação de homicídio qualificado quanto da tentativa de homicídio contra Marcos Vinicius de Souza Queiroz, que foi atingido na mão e sobreviveu. O julgamento durou dois dias.

A família do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto em operação na Cidade de Deus está inconsolável após absolvição de dois policiais militaresf — Foto: @rafaelhbrit / Rio de Paz

Na nota, a organização afirma que, durante o júri, houve deslocamento do foco do julgamento. Segundo o posicionamento, em vez de centrar a análise nas circunstâncias da morte e na conduta dos acusados, houve questionamentos sobre a vida do adolescente, associando sua imagem à criminalidade.

Para a entidade, essa dinâmica compromete o direito à memória, à verdade e à justiça, além de transformar a vítima em alvo de julgamento. A organização também destacou a dor enfrentada por mães que perdem filhos em operações policiais, especialmente mulheres negras moradoras de territórios periféricos.

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A Anistia Internacional relaciona o caso a um cenário mais amplo de letalidade policial no país. Com base em dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a entidade aponta que ao menos 56.396 pessoas morreram em ocorrências classificadas como homicídios por intervenção policial entre 2015 e agosto de 2025. Desse total, 82,7% eram negras e 71,7% jovens.

Segundo a organização, os números evidenciam um padrão de impacto desproporcional sobre a juventude negra e reforçam a necessidade de revisão das políticas de segurança pública, incluindo mecanismos de responsabilização administrativa, cível e criminal em casos de operações letais.

A ONG Rio de Paz também se manifestou nas redes sociais, lamentando a absolvição e destacando o sofrimento da família do adolescente após a decisão judicial.

Thiago foi morto em 7 de agosto de 2023. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, ele foi atingido por disparos efetuados por policiais que estariam em um veículo particular durante ação na comunidade. Os agentes alegaram legítima defesa, versão que foi analisada pelo conselho de sentença.

O caso segue mobilizando organizações de direitos humanos e reacende o debate sobre letalidade policial e controle externo da atividade policial no Brasil.

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