Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados da Análise dos Indicadores Comparáveis da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) revela que o percentual de adolescentes grávidas em Salvador (BA) mais dobrou nos últimos cinco anos, passando de 6,2% para 17,3%.

Divulgada nesta quarta-feira (13), a análise foi realizada com estudantes entre 13 e 17 anos e mostra ainda que a proporção de alunas do 9º ano que já haviam tido relações sexuais aumentou de 35,8% para 38,8%. Por outro lado, nesse mesmo grupo, a quantidade de jovens que usaram métodos contraceptivos para não engravidar caiu de 69,6% para 54,9%.
“Isso provavelmente aconteceu pela falta de acesso à informações precisas e pela falta de educação sexual nas escolas e nas famílias. Falar sobre sexo ainda é um tabu”, afirma Alexandre Amaral, médico ginecologista, em entrevista ao Correio da Bahia.
Leia também: Advogada especialista em violência obstétrica alerta sobre o direito à acompanhante em partos
Ele ressalta ainda o importante papel da educação sexual, inclusive para evitar abusos. “O papel da educação sexual não é vulgarizar o sexo, mas levar informações de qualidade para que os jovens entendam a importância de falar sobre assuntos que envolvem a sexualidade […] É necessário que sejam feitas políticas públicas nesse sentido para quebrar tabus e os jovens passarem a se proteger mais”, completa.
“Hoje em dia os adolescentes acabam sendo mais permissivos acerca da relação sexual, evitando a prevenção, o que pode vir a gerar não só a gestação indesejada, mas também a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis”, alerta.
Entre os anos de 2015 e 2019, Salvador passou da 18ª posição para o topo da lista de cidades com maior percentual de adolescentes grávidas, ao lado de Maceió (AL), com a diferença apenas da população absoluta. A capital baiana conta com uma população de 2,9 milhões de pessoas, enquanto Maceió gira em torno de 1,2 milhão de habitantes, segundo estimativas do IBGE.