O avanço da mineração ilegal de ouro na Amazônia tem impacto direto no aumento de casos de malária entre povos indígenas, especialmente no território Yanomami. Dados recentes indicam que um crescimento de apenas 0,03% na atividade garimpeira está associado a uma elevação entre 20% e 46% na incidência da doença em um intervalo de um a dois anos.
O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Stanford, da Universidade Federal de Mato Grosso e da Universidade Federal de Minas Gerais, com base em dados do Ministério da Saúde. A análise permitiu estabelecer e medir a relação entre a expansão do garimpo e o avanço da doença no território indígena.
A relação ocorre em um contexto de intensificação do garimpo nos últimos anos na Amazônia. Em 2023, o território Yanomami chegou a ter cerca de 20 mil garimpeiros ilegais. Os dados da pequisa foram publicados em primeira mão pelo portal Terra.
O cenário contribuiu para uma crise sanitária marcada por aumento expressivo de doenças, desnutrição e colapso no atendimento de saúde na Amazônia. Profissionais que atuaram na região relataram que grande parte da população testada apresentava infecção por malária.
A pesquisa aponta três fatores principais para essa associação. A abertura de áreas de mineração favorece a proliferação do mosquito transmissor ao alterar o ambiente natural. A chegada de trabalhadores vindos de regiões com circulação da doença contribui para a disseminação do parasita. Além disso, o uso de mercúrio contamina rios e compromete a saúde das comunidades, aumentando a vulnerabilidade à infecção.

Os dados indicam ainda que os casos de malária cresceram cerca de 300% entre 2016 e 2023 no território Yanomami na Amazônia. Mesmo com ações recentes para retirada de garimpeiros e ampliação do atendimento de saúde, a incidência segue elevada, em parte devido aos efeitos acumulados da atividade ilegal.
O estudo também aponta que a articulação de políticas públicas, o fortalecimento dos direitos territoriais indígenas e a ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento são fatores centrais para reduzir a transmissão da doença e enfrentar a crise sanitária na região.
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