Quase metade dos franceses já sofreu racismo, aponta pesquisa

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Quase metade dos franceses já foi vítima de racismo, aponta pesquisa; negros, árabes e asiáticos estão entre os principais alvos - Foto: Pexels

Quase metade da população da França já vivenciou algum tipo de discriminação racial, segundo levantamento realizado pelo Ifop em parceria com a Licra (Liga Internacional contra o Racismo e o Antissemitismo). Os dados mostram que pessoas negras, árabes, asiáticas, além de judeus e muçulmanos, estão entre os grupos mais afetados.

A pesquisa ouviu mais de 14 mil pessoas e identificou que cerca de 60% dos entrevistados percebidos como negros, árabes ou muçulmanos relataram ter sofrido racismo nos últimos cinco anos. O estudo aponta que a discriminação não ocorre de forma pontual, mas atravessa diferentes espaços da sociedade, incluindo instituições públicas.

Quase metade dos franceses já foi vítima de racismo, aponta pesquisa; negros, árabes e asiáticos estão entre os principais alvos – Foto: Pexels

Entre os locais mais citados está a escola, que aparece como o ambiente onde a discriminação ocorre com maior frequência. Para o pesquisador Léo Major, do Ifop, o dado revela um problema estrutural. “Quando você é informado de que precisará mudar seu filho de escola porque ele sofre discriminação, trata-se de uma mudança bastante radical. Não há trégua para as vítimas do racismo”, afirmou.

Segundo ele, o fato de o ambiente escolar liderar os registros indica que o problema está presente na base da formação social. “Isso significa que o próprio berço dos nossos valores está mergulhado nesses problemas. Ainda que não seja sistêmico, é certamente generalizado e afeta de forma recorrente as minorias”, explicou.

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O levantamento também indica que o racismo permanece ao longo do tempo. “Não estamos falando dos anos 1990 nem dos anos 2000. Isso já acontecia e continua acontecendo hoje, sem sinais de redução”, disse o pesquisador.

Diante desse cenário, mais da metade das vítimas afirmou ter mudado comportamentos para evitar situações de discriminação. Entre as estratégias adotadas estão evitar determinadas regiões, alterar a forma de se apresentar em público e esconder a própria origem em ambientes digitais.

Os dados mostram que essas medidas atingem principalmente grupos mais vulneráveis. Entre pessoas percebidas como árabes, 61% disseram adotar estratégias de proteção. Entre negros, o índice é de 53%. Entre judeus, o número chega a oito em cada dez entrevistados.

O impacto da discriminação também aparece no desejo de deixar o país. Segundo o estudo, 22% das vítimas já consideraram sair da França. O percentual sobe para 55% entre judeus e 46% entre muçulmanos.

A pesquisa foi realizada entre agosto e setembro de 2025 e reforça que o racismo segue presente no cotidiano francês, especialmente para quem não é percebido como branco ou não pertence à religião majoritária.

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