“A luta das mulheres contra a violência é uma causa importante e foi exatamente por isso que sua distorção funcionou”, diz Silvio Almeida

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O ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, afirmou ser inocente das acusações de importunação sexual e criticou a forma como foi retirado do cargo. Em vídeo publicado na noite de terça-feira (31), ele disse que pretende se defender na Justiça e associou o caso a uma “distorção” de uma causa legítima.

“Eu sou um homem inocente”, declarou logo no início da gravação. Segundo Almeida, ele permaneceu em silêncio até então por respeito ao sigilo das investigações e à sua família. “Qualquer palavra dita fora de hora seria usada para intensificar a violência a que estamos sendo submetidos”, afirmou.

O ex-ministro disse que não teve oportunidade de se defender durante o inquérito. “Durante o inquérito, na prática, eu não pude me defender. Agora poderei”, afirmou. Ele também criticou a rapidez com que foi exonerado do cargo. “O homem poderoso não é demitido em 24 horas e sem direito à defesa”, disse.

No vídeo, Almeida afirmou que as acusações foram utilizadas para retirá-lo da vida pública. “Apresentando provas e mostrando como uma causa tão importante foi usada para me tirar da vida política”, declarou. Ele também disse ver o episódio como parte de uma disputa política. “Chega ao ponto de incriminar uma pessoa inocente apenas para eliminar aquele que considera um adversário, ou para erguer sobre uma mentira uma bandeira eleitoral”, afirmou.

Ao comentar o tema da violência contra mulheres, Almeida disse reconhecer a relevância da pauta, mas afirmou que houve distorção no caso. “A luta das mulheres contra a violência é uma das causas mais importantes do nosso tempo. E foi exatamente por isso que sua distorção funcionou tão bem nesse caso”, disse.

O ex-ministro também relacionou a situação ao racismo estrutural. “A situação dos homens negros numa sociedade que frequentemente nos associa à brutalidade e ao descontrole” foi citada como um dos fatores que, segundo ele, contribuíram para a repercussão das acusações.

Almeida ainda afirmou que não há denúncias anteriores em sua trajetória profissional. “Eu tenho quase 30 anos de trabalho no Brasil e no exterior, sem uma única reclamação”, disse. Segundo ele, nenhuma denúncia foi apresentada por subordinados ou instituições após sua saída do ministério.

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O caso tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, após denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República, que apontou indícios relacionados à acusação feita pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Em entrevista recente, Anielle Franco afirmou que o processo de denúncia foi difícil e destacou a importância de responsabilização em casos de violência. “Assediar e importunar é ilegal, é errado, é crime. E precisa, sim, ter uma resposta à altura”, disse. A ministra também afirmou que sua experiência pode incentivar outras mulheres a denunciarem situações semelhantes.

No mesmo dia em que Almeida publicou o vídeo, Anielle participou, em São Paulo, de um evento ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em comemoração a políticas de acesso ao ensino superior e promoção da igualdade racial.

Silvio Almeida afirmou que continuará atuando profissionalmente enquanto o caso segue na Justiça. “Eu sou inocente e não vou me curvar a nenhum tipo de injustiça”, declarou.

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