Mulheres pretas, pardas e da classe C lideram compra de livros no Brasil, diz pesquisa

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Pesquisa revela que 30% de todos os consumidores de livros no país são mulheres pretas e pardas e cerca de 15% de todo o público comprador

O perfil do leitor brasileiro está mudando e os números mostram isso com clareza. Mulheres pretas, pardas e da classe C se consolidaram como o principal grupo consumidor de livros no Brasil, impulsionando o crescimento recente do mercado editorial.

Dados da pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, indicam que 30% de todos os consumidores de livros no país são mulheres pretas e pardas. Entre o público feminino, elas representam metade das leitoras.

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Dentro desse recorte, o destaque é ainda mais específico: mulheres negras da classe C formam o maior grupo consumidor de livros no Brasil, representando cerca de 15% de todo o público comprador.

Esse avanço acompanha um crescimento geral no número de leitores. Em 2025, cerca de 18% da população adulta brasileira comprou ao menos um livro, seja físico ou digital, um aumento de dois pontos percentuais em relação ao ano anterior. Na prática, isso significa a entrada de aproximadamente 3 milhões de novos leitores no mercado em apenas um ano, indicando uma retomada do interesse pela leitura após períodos de retração.

Forma de comprar livros mudou

Parte desse crescimento está ligada ao comportamento de públicos mais jovens. Entre pessoas de 18 a 34 anos, por exemplo, houve aumento de 3,4% no consumo de livros, movimento que acompanha a expansão de gêneros como o young adult. Ao mesmo tempo, a forma de acessar e escolher leituras também mudou. Mais da metade dos consumidores, cerca de 53%, realizou sua última compra de livros pela internet, enquanto 56% afirmam utilizar redes sociais como principal ferramenta de descoberta. Nesse ambiente digital, as mulheres são maioria: elas representam 59% das pessoas que compram livros a partir de recomendações nas redes, aponta a pesquisa

Esse novo cenário está diretamente ligado a uma combinação de fatores. A ampliação do acesso à educação, o aumento do poder de compra da classe C e a popularização das livrarias online ajudaram a tornar o livro mais acessível. Além disso, o crescimento de influenciadoras literárias e criadoras de conteúdo, muitas delas negras e periféricas, tem desempenhado um papel fundamental na formação de novos leitores, criando redes de identificação e incentivo à leitura.

Outro aspecto importante é a representatividade. O mercado editorial brasileiro tem, ainda que lentamente, ampliado a presença de autoras negras e de narrativas que abordam questões raciais e sociais. Esse movimento contribui para que mais leitoras se reconheçam nas histórias e se sintam parte desse universo.

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No conjunto geral, pessoas pretas e pardas já representam cerca de 49% dos compradores de livros no Brasil, evidenciando uma mudança estrutural no perfil do leitor. Ainda assim, desafios persistem, como o preço elevado dos livros e o acesso desigual a bibliotecas e espaços de leitura em diferentes regiões do país.

Mesmo diante desses obstáculos, o protagonismo de mulheres pretas, pardas e da classe C indica um caminho sem volta: o da democratização da leitura. Mais do que consumidoras, elas estão redefinindo o mercado editorial brasileiro e mostrando que a literatura, cada vez mais, reflete a diversidade real do país.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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