PM agride estudantes dentro de escola no Largo do Machado, no Rio

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A ação de um policial militar dentro da Escola Estadual Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, Zona Sul do Rio, reacendeu o debate sobre a presença e a atuação das forças de segurança em ambientes escolares. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram o momento em que jovens são agredidos durante uma mobilização estudantil na unidade.

Segundo entidades estudantis, entre os atingidos estão lideranças da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro e do Diretório Central dos Estudantes da UFRJ. Os representantes foram detidos após a abordagem.

Caso ocorre em cenário de aumento da violência policial no Rio; estudantes denunciam agressão dentro de escola. – Foto: Reprodução

O grupo havia sido chamado por alunos da escola para apoiar um abaixo-assinado que pedia o afastamento de um professor acusado de assédio. De acordo com as associações, os nomes estavam previamente autorizados para entrada na unidade, mas a direção acionou a Polícia Militar.

Relatos indicam que, além das agressões, houve uso de spray de pimenta do lado de fora da escola. O caso foi registrado na Delegacia do Catete.

O episódio ocorre em um contexto de aumento da violência policial no estado. Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que o Rio de Janeiro registrou crescimento de 13% nas mortes por intervenção policial em 2025, em comparação ao ano anterior.

Levantamentos da Rede de Observatórios da Segurança apontam que a maioria das vítimas dessas ações é formada por jovens negros, que representam cerca de 86% dos casos no estado.

A presença de operações policiais no entorno de escolas também não é incomum. Dados do Instituto Fogo Cruzado indicam que, em média, uma unidade de ensino por dia é impactada por tiroteios ou ações policiais na Região Metropolitana do Rio.

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Em nota, entidades estudantis classificaram a ação como abuso e questionaram o uso da força em um ambiente educacional. A mobilização que motivou a presença policial estava relacionada a uma demanda interna dos alunos.

Casos como esse podem ser apurados pela Corregedoria da Polícia Militar, responsável por investigar a conduta de agentes. Em situações semelhantes, a abertura de Inquérito Policial Militar pode levar ao afastamento dos envolvidos durante a apuração.

Em nota enviada ao NP a PMERJ informou que o militar já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). Nesse contexto, o policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas.

A Secretaria de Educação lamenta o ocorrido e reforça que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública. A Seeduc prestará todo apoio aos estudantes envolvidos e seus familiares.

A direção da unidade acionou a Polícia Militar durante um protesto de alunos de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo. A Secretaria destaca que toda atuação em espaço escolar deve respeitar rigorosamente os protocolos, os estudantes e o uso adequado dos procedimentos.

A Seeduc reafirma seu compromisso  com um ambiente escolar seguro, acolhedor e respeitoso para toda a comunidade.

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