Metro quadrado chega a R$ 15 mil em Balneário Camboriú e valor supera renda da maioria dos moradores

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Balneário Camboriú, em Santa Catarina, mantém o metro quadrado mais caro do Brasil, avaliado em R$ 15.072, segundo o Índice FipeZAP de fevereiro. O valor coloca a cidade à frente de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro e reforça a valorização do litoral catarinense no mercado imobiliário de alto padrão.

Na prática, um apartamento de 50 metros quadrados na cidade custa, em média, R$ 753 mil. Para financiar um imóvel nesse valor, bancos costumam exigir que a prestação não ultrapasse 30% da renda familiar, o que indica necessidade de renda mensal superior a R$ 20 mil, dependendo da entrada e das condições de crédito.

O valor contrasta com a renda média da população local. Levantamento com base em dados do IBGE e da FGV Social aponta que a renda domiciliar per capita em Balneário Camboriú gira em torno de R$ 3 mil mensais. Entre trabalhadores formais, a remuneração média é próxima de R$ 2,9 mil, segundo dados regionais.

A diferença evidencia que o mercado imobiliário da cidade não é sustentado majoritariamente pela renda da população trabalhadora local, mas por investidores e compradores de alto poder aquisitivo. O município se consolidou como destino de empreendimentos de luxo, com forte presença de arranha-céus residenciais e imóveis voltados para segunda residência ou aplicação de capital.

Além de Balneário Camboriú, outras cidades catarinenses dominam as primeiras posições do ranking nacional. Itapema registra R$ 15.028 por metro quadrado e Itajaí, R$ 13.098. Florianópolis também aparece entre as mais valorizadas, com R$ 13.011.

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O índice médio nacional apurado pelo FipeZAP ficou em R$ 9.673 por metro quadrado. São Paulo ocupa a sexta posição, com R$ 11.945.

Especialistas apontam que a valorização acelerada do litoral catarinense está associada ao turismo, à construção civil de alto padrão e à atração de investidores de outras regiões do país. Esse movimento amplia a arrecadação e a visibilidade internacional da cidade, mas também pode pressionar o custo de vida e o mercado de aluguel.

Enquanto imóveis ultrapassam a faixa dos R$ 15 mil por metro quadrado, trabalhadores que atuam nos setores de serviços, comércio e construção civil enfrentam uma realidade salarial distante desse patamar, evidenciando o descompasso entre a dinâmica de valorização imobiliária e a renda da maioria da população residente.

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