Covid-19 afeta cérebro e pulmões de forma mais profunda que a gripe, aponta estudo

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Pesquisa mostra que coronavírus tem impacto mais amplo no cérebro e provoca danos pulmonares distintos da gripe

Um novo estudo internacional revelou que a Covid-19 e a gripe, embora sejam doenças respiratórias com sintomas semelhantes na fase aguda, provocam efeitos diferentes e mais profundos no organismo, especialmente no cérebro e nos pulmões. A descoberta ajuda a explicar por que a infecção pelo SARS-CoV-2 está mais associada a sintomas prolongados, como a chamada “névoa mental” e o cansaço extremo.

A pesquisa identificou que a Covid-19 desencadeia uma resposta inflamatória sistêmica mais intensa e duradoura, capaz de atingir o sistema nervoso central, enquanto a gripe tende a ficar mais restrita às vias respiratórias. Entre os sintomas neurológicos mais relatados após a infecção pelo coronavírus estão perda de memória, dificuldade de concentração, alterações de humor e distúrbios do sono, sinais frequentemente associados à Covid longa.

A persistência de sintomas após a infecção pelo coronavírus é hoje um dos principais desafios para os sistemas de saúde

Impacto no cérebro

De acordo com os cientistas, a principal diferença está na forma como o vírus afeta o cérebro. A Covid-19 provoca alterações em áreas relacionadas à cognição e às emoções, resultado de processos inflamatórios e de alterações na circulação sanguínea cerebral.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que pacientes que tiveram quadros leves também podem apresentar sintomas neurológicos meses depois da infecção. Já na gripe, embora possam ocorrer complicações, o envolvimento cerebral é menos frequente e geralmente ligado a casos graves ou a grupos de risco.

Danos pulmonares distintos

Nos pulmões, as duas doenças também se comportam de maneira diferente. A Covid-19 está mais associada a lesões difusas nos alvéolos e a problemas na troca de oxigênio que podem persistir por longo período, enquanto a influenza costuma provocar inflamação mais localizada e com recuperação mais rápida na maioria dos pacientes.

Essa diferença estrutural ajuda a entender por que pessoas que tiveram Covid-19 relatam falta de ar e queda na capacidade física mesmo após a fase aguda da doença.

Covid longa e carga para a saúde pública

A persistência de sintomas após a infecção pelo coronavírus é hoje um dos principais desafios para os sistemas de saúde. A Covid longa pode atingir inclusive pessoas jovens e sem comorbidades, com impacto direto na qualidade de vida e na produtividade.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • fadiga intensa
  • falta de ar
  • dificuldade de memória e concentração
  • insônia
  • alterações emocionais

Esses sintomas podem durar semanas ou meses.

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Por que a comparação importa

Entender as diferenças entre Covid-19 e gripe vai além do diagnóstico clínico. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias específicas de acompanhamento para quem teve coronavírus, especialmente em relação à saúde mental, cognitiva e respiratória.

Os achados também ajudam a combater a ideia de que as duas doenças têm o mesmo impacto no organismo. Embora ambas possam ser graves, a Covid-19 apresenta um potencial maior de deixar sequelas de longo prazo, o que reforça a importância da vacinação e do monitoramento dos pacientes após a infecção.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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