Eunice Lipinge defende mais mulheres nos espaços de poder e diz que para que isso aconteça é necessário proteção para as mulheres contra a violência política e garantia de acesso igualitário a comunicação política
“Alguns países africanos demonstraram o poder de reformas deliberadas, mostrando ao mundo que a igualdade de género não é apenas possível, mas transformadora. Quando as mulheres lideram, as nações prosperam.” A afirmação da presidente da Organização Pan-Africana das Mulheres, Eunice Lipinge, resume o tom do discurso feito por ela na abertura da Women in Politics Conference 2026. Lipinge destacou a participação feminina como fator decisivo para o crescimento econômico, a justiça social e a estabilidade política no continente africano.
Durante a sua intervenção em Luanda, a dirigente reforçou que não é possível falar em desenvolvimento sem garantir a presença das mulheres nos espaços de decisão. “É por isso que estamos falando de construção de mulheres, eliminar essas barreiras estruturais, criar espaço para as mulheres para serem vistas, elas estão contribuindo”, disse. Segundo ela, países que investem na liderança feminina registram avanços mais consistentes em áreas essenciais como educação, saúde e segurança alimentar.

Foto: Tom Carlos
A presidente da Organização Pan-Africana das Mulheres defendeu que a formação política das jovens africanas precisa deixar de ser pontual e simbólica para se tornar uma política estruturada e permanente. Segundo ela, é necessário institucionalizar a preparação das mulheres para a vida pública, com capacitação em negociação, estratégias eleitorais e mecanismos de proteção contra a violência política de gênero.
Lipinge lembrou que África vive um momento decisivo, marcado pelo crescimento populacional, pela diversificação econômica, pela transformação digital e por mudanças no cenário geopolítico. “A arquitectura futurista da África está sendo projectada agora em parlamentos, gabinetes e instituições indígenas”, afirmou, alertando que a política tem impacto direto sobre esse processo.
Para a dirigente, a consolidação da democracia passa obrigatoriamente pela garantia de segurança e de condições iguais de participação para as mulheres. “Se estamos sérios sobre a consolidação democrática, devemos proteger as mulheres da violência política e garantir acesso igual à comunicação política”, destacou.
Ela também criticou avanços que considera lentos e superficiais. “Devemos ir além dessa acomodação incremental em direcção à estrutura da igualdade. Desigualdade não é poder, apoiamento não é poder”, disse, ao defender mudanças profundas que assegurem poder real de decisão às mulheres.
De acordo com Lipinge, esse caminho exige liderança corajosa, reformas nas estruturas partidárias e eleitorais, financiamento público mais justo e a criminalização da violência política de gênero. A presidente ainda ressaltou a importância da solidariedade entre mulheres de diferentes gerações, ideologias, regiões e línguas.
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Ao concluir, reforçou que o futuro do continente depende da participação plena das mulheres: “Mulheres não são consequências minoritárias, elas são a maioria”.









