Justiça analisa pedido do MPF para travar R$ 1,2 bi da Vale por danos ambientais em MG

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O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para tentar bloquear R$ 1,2 bilhão da Vale, após vazamentos de água e sedimentos registrados em janeiro nas minas de Viga e Fábrica, em Congonhas (MG). Segundo o órgão, os incidentes atingiram córregos que deságuam no Rio Paraopeba, provocando assoreamento e danos à vegetação.

O pedido foi dividido em duas ações cautelares. Para a mina de Fábrica, o bloqueio solicitado é de R$ 1 bilhão. Já para a unidade de Viga, o valor requerido chega a R$ 200 milhões. De acordo com os procuradores, os recursos devem garantir a reparação ambiental das áreas afetadas.

As investigações apontam falhas na operação das estruturas de contenção de efluentes. Reservatórios usados para controlar o escoamento da água, conhecidos como sumps, não teriam capacidade de drenagem suficiente para suportar períodos de chuva intensa. Com o transbordamento, houve erosão e transporte de sedimentos para os cursos d’água da região.

Em nota, o MPF declarou que “Além disso, a mineradora não comunicou o fato imediatamente às autoridades, o que contraria deveres legais de transparência e dificulta a resposta da Defesa Civil”.

O órgão também solicitou que a empresa contrate auditoria técnica independente para acompanhar as obras de segurança e apresente, com urgência, um relatório sobre a situação de estruturas semelhantes em todas as suas minas em Minas Gerais.

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal para tentar bloquear R$ 1,2 bilhão da Vale, após vazamentos de água e sedimentos – Foto: Divulgação/Vale.

Os vazamentos ocorreram entre 25 e 26 de janeiro. Na mina de Fábrica, o rompimento de uma cava liberou cerca de 263 mil metros cúbicos de água turva com minério e resíduos, que atravessaram o dique Freitas, atingiram área da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e seguiram até o rio Goiabeiras, que deságua no Maranhão antes de chegar ao Paraopeba. Não houve vítimas.

Procurada, a Vale informou que “tomou conhecimento da ação do Ministério Público Federal referente ao extravasamento ocorrido na mina de Viga, em Congonhas (MG). A empresa já se manifestou nos autos e apresentará oportunamente a sua defesa dentro do prazo legal”.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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