Sudeste concentra 40% melhores hospitais públicos enquanto Norte e Nordeste têm menor cobertura médica

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A região Sudeste concentra 41 dos 100 hospitais públicos mais bem avaliados do Brasil, segundo levantamento inédito do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde. O dado chama atenção ao ser confrontado com outro cenário: as regiões Norte e Nordeste apresentam os piores indicadores de cobertura médica e acesso à saúde do país.

O ranking, que servirá como base para o Prêmio Melhores Hospitais Públicos do Brasil em 2026, analisou unidades que atendem exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde com base em critérios técnicos como acreditação hospitalar, taxas de ocupação, mortalidade, leitos de UTI e tempo médio de permanência dos pacientes. A pesquisa utilizou dados do Sistema de Informações Hospitalares do Ministério da Saúde entre agosto de 2024 e julho de 2025.

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Foto: Pexels

O estado de São Paulo lidera a lista com 30 hospitais entre os 100 melhores. Goiás aparece em seguida com 10 unidades. Pará e Santa Catarina têm sete cada, Pernambuco e Rio de Janeiro registram seis. Distrito Federal, Amazonas, Bahia, Maranhão e Minas Gerais aparecem com três cada.

Segundo o médico sanitarista Renilson Rehem, coordenador do estudo, a intenção do levantamento é valorizar boas práticas no SUS. “Ao fazer isso, estamos dando uma pauta positiva para os hospitais públicos que normalmente vivem mais com pautas negativas, considerando as dificuldades que enfrentam”, afirmou.

Enquanto a excelência hospitalar se concentra majoritariamente no Sudeste, dados da Demografia Médica no Brasil 2025, coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, apontam que o Norte possui a menor densidade médica do país, com 1,70 médico por mil habitantes. No Nordeste, o índice é de 2,21, abaixo da média nacional de 2,81.

A situação se agrava por fatores socioeconômicos. O Nordeste concentra quase metade da população em situação de pobreza extrema no país, segundo dados do IBGE. A região também registra maior dependência do SUS, devido à baixa cobertura de planos privados, o que sobrecarrega o sistema público.

Relatórios do Conselho Federal de Enfermagem e da Fiocruz indicam a existência de vazios assistenciais no Norte, com áreas rurais e remotas sem qualquer ponto fixo de atendimento. A falta de centros de alta complexidade, como UTIs e serviços de oncologia, obriga pacientes a se deslocarem por longas distâncias em busca de atendimento, elevando custos e riscos à saúde.

Estudos do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde mostram ainda que municípios do Sul e Sudeste investem, em média, mais recursos próprios em saúde do que cidades do Norte e Nordeste, que dependem quase exclusivamente de repasses federais. Embora o orçamento da saúde tenha crescido nos últimos anos, parte significativa dos recursos discricionários é distribuída por emendas parlamentares, que nem sempre seguem critérios técnicos de necessidade regional.

O levantamento evidencia onde estão os hospitais públicos de melhor desempenho no país e, ao mesmo tempo, revela que as regiões que mais precisam de estrutura médica qualificada continuam enfrentando desafios históricos de acesso, cobertura e investimento em saúde.

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